30.6.12

Febre de sábado à noite

Ah, queriam um programa cool e pós-moderno para um sábado à noite?



Então esperem aí que eu vou só ali a Peniche correr 15km à noite, pelo meio de fogueiras e já volto. Dá-me ideia que mais vale ir penteado que devo aparecer numa revista da moda de certeza.


Nada temam, para resguardar o meu lado chic dos suores nocturnos e eventuais odores a febras, irei levar uma bela selecção audio de poemas franceses declamados por ceguinhos e cerca de trinta minutos de audio de novelas nacionais para acelerar o ritmo na parte final e acabar com todo o tipo de sofrimento.

29.6.12

Agora que voltei a ver os Excesso, o boybandismo dentro de mim renasceu

Quando era mais puto, pensei que podia ter futuro numa boys band. Não cantava nada, frequentava um ginásio, sabia mascar pastilha elástica e tinha ideia que dançava muito melhor do que na realidade fazia.

No entanto, sabia conjugar os verbos na perfeição, nunca tive madeixas nos cabelos e recusava-me a usar camisolas de manga cava fora de um campo de basket. Creio que isso me derrotou à partida e durante muito tempo, as músicas que cantava no chuveiro reflectiam essa amargura. Ainda hoje sinto que se perdeu um grande talento para as boys band nacionais, apesar de se ter ganho um grande coiso e tal, que é um bocado como me defino.

Ao ver esta semana a reportagem da SIC sobre o que é feito dos Excesso, repensei a minha vida. Ainda não é tarde para poder brilhar, tenho lycra em casa e continuo sem cantar uma beata. Se ao menos conseguisse ficar calvo rapidamente e eliminar parte do bom senso que me apareceu nos últimos anos.

Perdidos e Achados - Excesso from João Nunes on Vimeo.


São 25 minutos de pura magia.


28.6.12

Velhos do Restelo, Profetas do Eubemtedisse e Filósofos do rescaldo não marcam penalties



“Portugal tem um problema que é este...”

Epá, já dei para o peditório da conversa que começa assim em dias como o de hoje. Há todo um grupo de gente sábia que passa automaticamente a ser perita em detectar os problemas de Portugal e as razões para que o nosso fado seja o de ter um fado.

É esta a pílula do dia seguinte que temos para sonhos de glória nacional.

“Para a próxima isto”, “Desta vez não devíamos ter feito aquilo”, “Falta-nos sempre algo...”, “Connosco é sempre a mesma coisa”. Não, não é, as histórias mudam, certas pessoas é que olham sempre para elas com uma visão fatalista e conformista.

Estou-me perfeitamente a lixar para as vitórias morais, para os fatalismos, para o “bem, não foi mau, mas...” e para o “Já fomos donos do mundo e agora somos isto”. “Isto” que somos é aquilo que quisermos ser, a não ser que não queiramos ser nada e então “isto” pode ser uma coisa qualquer.

O “isto” é para tratar no agora, agarrar no que temos e ir a jogo. Se for isso que fizermos, seja em que área for da vida, percas ou ganhes, sais de lá com consciência tranquila.
Significa isso que temos de amochar, saber perder e encaixar derrotas com elegância?

Não. Quem gosta de ganhar, sente-se sempre mal a perder e perder bem só atenua esse sentimento em 0,0001%. Mas, quem acredita em si não sai das derrotas a pensar que foi uma desgraça, um azar, o nosso fado, uma malapata e que só a nós é que nos acontecem estas coisas.

Não são apenas os portugueses que perdem, que se lixam à beira da vitória, que dão tudo e mesmo assim às vezes não chega. Há um mundo inteiro a viver assim. Mas, traço geral, são os portugueses que gostam de se medir pelos ombros dos maiores, mas sempre com as desculpas dos pequenos, não vá o diabo tecê-las. Já se sabe que quando se trata de Portugal, para essas pessoas o diabo tece mais que a Zara. E se a moral de um país se esgota num campo de futebol, então vamos pôr os velhos do Restelo a marcar penalties, porque estamos a desperdiçar o hoje com gente que só sabe tudo amanhã.


Em vez da filosofia da resignação, do sebastianismo de termos de esperar até que um dia chegue alguém que por milagre dê uma volta às coisas e nos dê tudo a que temos direito, peguemos nós nisto e comecemos a facilitar a vida a esse messias, enquanto ele não chega

Longe de mim o apelo ao patriotismo cego, até porque desconfio bastante do Portugal Instituição Oficial. Mas acredito que somos melhores do que as desculpas que oiço para justificar o que somos, como se tivéssemos sempre que arranjar desculpas para aquilo que somos.

Para muitos, o sofrimento e a amargura são a única forma de pôr a máquina a andar para a frente. Para mim, é isso mesmo que temos de deixar para trás.

O homem que queria sonhar


Sonhava todos os dias, embora por vezes nem sempre se lembrasse dos seus sonhos.
Já ele, simplesmente não sonhava.

Todos os dias esperava que ela acordasse e lhe contasse como tinham sido os seus sonhos, para ouvir tudo atentamente com um olhar ávido, tentando imaginar como seria se tivesse sido ele a sonhá-las.

Às vezes, até o sonho mais banal ganhava na sua cabeça outra dimensão, quando ele explorava todas as perspectivas de algo que, por mais normal que fosse, pertencia a uma realidade que ele desconhecia.

Quando ela não se lembrava dos sonhos ou simplesmente dizia que não se lembrava, porque há sonhos que são feitos para ser vividos por uma só pessoa, sentia-se irritado e suspirava. Ainda deitado fechava os olhos e tentava criar um pequeno sonho, algo que minorasse a irritação. Mas parecia-lhe tudo demasiado real, demasiado real.

Nesses dias, chegava a perguntar a colegas e amigos se tinham sonhado ou detinha-se junto à máquina do café quando ouvia alguém a dizer “Bem, nem imaginam o sonho que tive ontem...”. Sorvia tudo o que conseguia sobre sonhos, com ar fascinado, mas sempre com a noção que nunca tinha mais do que sonhos em segunda mão, descritivos baços de imagens coloridas que os seus olhos não conseguiam captar.

Ela começou a sonhar menos, ou a dizer que sonhava menos, porque via nele uma tristeza crescente assim que acabava de lhe relatar os seus sonhos, que em nada reduzia a insistência com que lhe pedia para relatar tudo o que se lembrasse. Pensou que assim talvez ambos sofressem menos.

Até que um dia ela sonhou que ele estava a sonhar. E, ao acordar, em vez de o encontrar a olhar para ela, tentando adivinhar se tinha sonhado ou não, observou-o tranquilamente a dormir. Sorriu e deixou-se estar mais um pouco, desfrutando o momento.

Tinha fechado os olhos por instantes, quando sentiu que ele acordava. A sua expressão era ainda mais triste do que nos outros dias. Ela perguntou-lhe o que se passava e ele, sem responder, simplesmente abraçou-a. Disse-lhe depois que, pela primeira vez desde que se lembrava, tinha sonhado. E tinha sido um sonho tão espantoso que acordar tinha sido algo quase doloroso.

Custava-lhe a compreender como podiam as pessoas sonhar coisas espantosas e acordar felizes, quando lhes tinham acabado de roubar algo que possivelmente não voltariam a ter. Ela disse-lhe que nem todos os sonhos eram bons, ao que ele respondeu que nem todas as realidades eram boas e as pessoas tinham de viver nelas sem escolha. E sendo assim, todos os sonhos, por melhores que fossem, para ele seriam sempre um pesadelo.

Nem todas as pessoas foram feitas para sonhar, concluiu.
E foi então que acordou.

27.6.12

Hoje ao fim da tarde eu vou assim

Hoje, a partir das 20h, não vai haver melhor forma de arejar em Lisboa. Se não gostas de bola avança, que os parques estão por tua conta.


Sonho irónico de uma noite de Verão com Portugal-Espanha


Portugal e Espanha estão empatados 4-4, depois de um jogo em que Portugal esteve a perder 0-3, empatou ao minuto 89, passou para a frente no prolongamento e deixou-se empatar a um minuto do fim do tempo adicional.

Estamos nas grandes penalidades, 7-7 até ao momento e preparam-se ambos os guarda-redes para marcar. De repente, apagão digital em toda a Península Ibérica. É impossível saber o resultado. Vulcões na Islândia entram em erupção e viagens de avião são canceladas.

A incerteza no resultado leva milhares de pessoas à loucura e ao suicídio. As fronteiras terrestres são de novo estabelecidas, para nenhum dos vizinhos correr o risco de vir a ser gozado por alguém que consiga saber o resultado.

Paulo de Carvalho tenta acalmar o povo, cantando aquela música do “E depois do adeus”, intervalada com “Os meninos à volta da fogueira”. É apedrejado por uma multidão em fúria.

A internet não funciona. 85% da população entra em depressão, mais por causa da falta de Facebook do que de saber o resultado.


Três meses mais tarde, chega uma jangada com dois portugueses que viram o jogo na Ucrânia. São quase santificados, até se perceber que viram o jogo tão bêbados que não fazem a mínima ideia do resultado. São condenados a ficarem fechados numa sala com o Paulo de Carvalho a ouvir as duas músicas que este insiste em cantar.

Seis meses mais tarde é declarado o fim do futebol em Portugal. As crianças já não querem ser Ronaldos, preferem ser Mickaeis Carreiras. Uma criança disse querer ser o Paulo de Carvalho, mas era filha de emigrantes ucranianos.

Um ano depois, o programa espacial português é lançado, para tentar saber o que aconteceu vendo as coisas do espaço. Seis meses depois da primeira missão no espaço, a comunicação final da investigação é lacónica.

“Ganhou a Alemanha”

Só isso, sem menção ao resultado do Portugal-Espanha.

Em fúria, o governo português, liderado nessa altura por Toni Carreira e tendo como primeiro ministro adjunto uma ovelha que trabalhava com ele desde o primeiro Piquenicão, toma uma resolução imediata.

Paulo Carvalho deverá ser disparado da ponta de um míssil para abater a estação espacial portuguesa. Se não se explicam, não estão a fazer nada lá em cima a não ser envergonhar o país.

O júri do Ídolos é convocado para escolher o míssil certo para espetar lá o Paulo de Carvalho. Não chegam a consenso sobre o candidato final. Moura dos Santos considera ser um material bélico azeiteiro com pouco Star Power, Abrunhosa amua e não opina sobre um míssil mais luzidio que a sua careca e Bárbara Guimarães está mais distraída a fazer boquinhas e a pensar se o míssil será mesmo assim ou se estará excitado a olhar para o seu decote que, por essa data, nivela pelo umbigo. Toni Carreira lembra-se que é primeiro ministro e decide enquanto os outros não estão a ver.

Milhões de portugueses juntam-se a ver em directo na televisão a transmissão do míssil com Paulo de Carvalho preso na ponta a destruir a estação espacial portuguesa.

Novo apagão digital, a dez segundos do impacto.

Portugal sobrevive. Paulo de Carvalho não.

26.6.12

Suores filosóficos

Gosto tanto de sentir cansaço positivo que às vezes penso se isso não será negativo.

No excuses


Sempre gostei dos Alice in Chains. É certo que dentro do movimento grunge há nomes maiores, há influências que têm mais impacto e há sempre o mito do Kurt Cobain para venerar, alimentar ou desdenhar.

Eu, gostando de outros, sempre tive um carinho especial por estes. O som, por vezes era pesado e agressivo, noutros casos curiosamente melodioso e apesar das letras mais dark que podem influenciar mentes mais sensíveis, a coisa nunca caiu num negrume que estraga alguma musicalidade. O vocalista, Layne Staley, morreu há dez anos. O roteiro do costume - drogas, reclusão e uma overdose a servir de ponto final. Fez-me confusão que um tipo do meu tamanho (1,85m) por altura da sua morte pesasse pouco mais de 40kgs mas, nunca tendo tomado drogas, não posso, nem quero compreender como é possível chegar a esse ponto. Também, conhecendo alguns casos de perto, nunca quis ser juiz ou moralista de trazer por casa, apear de me custar sempre um bocado a glorificar alguns mitos. No entanto, também sei que atirar pedras é sempre mais fácil do que apanhar com elas.

Voltando à música, a verdade é que os Alice in Chains não desapareceram. Não porque a banda se tivesse voltado a juntar com novo vocalista, coisa que fez e não gerou mais que um bocejo, mas porque aqueles que gostam da sua sonoridade ajudam a fazer com que não caiam no esquecimento.

Fazendo bem as contas, acho que um tipo só percebe que está a ficar mais velho quando, apesar de absorver muita música nova, tem sempre uns portos de abrigo musicais, onde volta sempre que à memória apetece ir dar uma voltinha.

Sem desculpas, fica um exemplo, que não o do título do post.




E, para quem tiver a curiosidade e ou a vontade de entrar na máquina do tempo, eis o concerto completo.

Pânico no elevador

Já se sabe que "Pânico no túnel" é um filme icónico de Stallone, embora creio que o factor pânico terá tido mais que ver com o facto do próprio Stallone ter escapado do dito cujo.

Por isso, nada de confusões, trata-se aqui do meu balão de ensaio favorito - o elevador. Por norma, trata-se de um espaço sem saída possível em dados momentos, em que convive gente de várias espécies, formatos e credos religiosos, que se podem ou não conhecer. Além disso o convívio é curto e não temos que ficar a ver os resultados quando a coisa corre mal.

Teste de hoje:

Entro no elevador do meu prezado local de trabalho com uma simpática moçoila que trabalha comigo. Entram também outras mulheres, umas possivelmente consultoras, outras a caminho de consultas, uma senhora da limpeza e dois tipos.

A rapariga que conheço vem com ar de sono e diz-me isso mesmo. Tranquilizo-a "Não se nota muito e tu disfarças bem o cansaço. Já outras pessoas..." Não olho para ninguém em particular, mas levanto um pouco a cabeça e faço um ligeiro aceno.

Num tempo de reacção de menos de três segundos, duas delas usam o telemóvel como espelho para verificarem o seu bolo facial. Uma usa a porta metalizada do elevador para esse efeito. A mulher da limpeza boceja. Um dos gajos, com ar preocupado, procura ramelas com a ponta dos dedos.


Bem vindos ao laboratório matinal de experiências sociais.

Abre-se a porta, deixa-se a senhora passar e o gesto final é dado por um olhar para trás com um sorriso idiota (não forçado, é naturalmente assim).

25.6.12

Parceiro de boas ideias, amante de ideias estúpidas. Ah e um panda.


Tinha aqui alinhavado um texto bonito sobre criatividade, a forma como as boas ideias podem e devem conviver com as ideias estúpidas e de como isso pode resultar perfeitamente nas mais diversas áreas da vida.


Contudo, o Word tinha outros planos, havia nele a vontade de calar este chorrilho de alarvidades que diariamente brota de mim. Incomodava-o particularmente o uso do verbo “brotar”. Vai daí caiu, da mesma forma que um jogador português com maus hábitos se atiraria para o relvado com uma possível fractura exposta. Segundos mais tarde, piscava-me o olho e dizia-me que estava tudo bem, que podia voltar a entrar em acção.

Mas não estava tudo bem, apagara-me o texto sobre criatividade e fizera de conta que a coisa nunca acontecera.

Brotou em mim uma raiva estranha, como nunca havia brotado anteriormente. Queria vingança mas não tinha nem tempo nem paciência para a executar. Ainda assim, sobrou tempo para uma composição sobre o fim de semana de um panda.

"Brotara no panda uma vontade de ir à praia no fim de semana. No entanto, o dinheiro era coisa que não lhe brotava na carteira e não havia guita para a tosquia. Vendo bem as coisas, não havia sequer dinheiro para a gasosa no seu Fiat e o Maomé só lhe dava boleia até à montanha e não à praia. Ficou no terraço, a beber minis todo nu e a pensar como era impressionante o número de gajas que ficava derretida quando ele fazia isso e horrorizada quando o velho do 5º direito se juntava a ele nos mesmos preparos. Sentiu então uma ideia brotar dentro de si. Ah, afinal não, era apenas um arroto de tanta cerveja.
O panda não foi à praia no fim de semana. Mas bebeu cervejas com um velho nu e quase engatou a cabeleireira do 3º frente. E disse “quase” porque estava com demasiado calor para se meter em tropelias à brota."

Eu sei que a última palavra não se escreve assim, mas o Word só detecta erros gramaticais. Incha porco.

Coisas inéditas para fazer à segunda de manhã

Ao que me lembro, passei hoje pela primeira vez na vida por baixo do arco da Praça de Espanha, diria eu que ainda não eram sete da manhã. A sensação não foi tão bombástica como previa e a coisa ficou um pouco aquém do esperado. Nem sequer um portal para outra dimensão aquilo era.

Para a próxima não vou de lycra.

24.6.12

A ver a bola e uma espécie de transformismo

Não querendo estragar a vossa última hora de domingo, eis o que pude constatar do jogo que acabei de ver.

A Inglaterra, farta de ser sempre a Inglaterra, decidiu jogar como a Itália, porque a Itália quando joga contra a Inglaterra tende a safar-se. Mas atenção, a Inglaterra jogou como uma espécie de Chelsea que joga à italiana, mas que tem bons estrangeiros para jogar dessa forma. Até porque jogar à italiana só com ingleses nunca teve grandes resultados.

Já os italianos, surpreendidos por se verem a jogar contra si próprios, mas com muito mais estilo em termos de look e postura, acharam aquilo aborrecido, apesar de saberem que não sabem jogar sem ser como a Itália joga, mesmo que a Itália de hoje não seja a Itália de ontem. Vai daí, resolveram jogar como se fossem portugueses, criando inúmeras oportunidades mas tendo dificuldades em concretizá-las.

Conforme veio o prolongamento e os penalties se tornavam cada vez mais uma possibilidade, os ingleses que estavam a jogar à italiana sentiram-se cada vez mais confiantes, pois o Chelsea a jogar à italiana também se tinha safado bem dessa maneira. Os italianos mantiveram a toada já que, mesmo com um toque de portugueses, sabiam que os ingleses iam acabar por se aperceber da sua condição de britânicos.

Chegados aos penalties, a Inglaterra apercebeu-se que afinal só tinha jogadores ingleses para marcar penalties e entrou em pânico, tendo pedido aos italianos para trocarem alguns jogadores, o que estes recusaram, especialmente devido ao corte de cabelo lamentável de alguns jogadores ingleses. Ainda assim, maquiavélicos como só os italianos sabem ser, falharam um penalty, para dar aos ingleses uma breve sensação de que não seriam a Inglaterra de sempre.

Mas foram e a Inglaterra de sempre, mesmo a jogar à italiana, não passa eliminatórias em penalties. Já os italianos, não perceberam bem quem eram afinal os tipos do outro lado, mas no fim cobraram-lhes o mesmo que cobrariam a ingleses.

23.6.12

O que me corre nas veias

Descobri hoje que sou dador universal. De sangue e de histórias.

22.6.12

Uma história um bocadinho à frente


P bvups eftuf cmph ujoib gbmub ef ufnqp. Efdjejv foubp spvcb-mp bpt tfvt mfjupsft.

(Para quem tenha a paciência, a história lê-se substituindo cada letra pela que a antecede no alfabeto. Para quem não a tenha, aviso já que como está é capaz de ser um bocadinho mais interessante)

A vida é mais estranha que a ficção

E isto não tem nada que ver com bola.

Podemos não voar. Podemos não ter super-poderes apesar de conseguirmos fazer coisas que deixam o comum mortal de boca aberta. Podemos não ser zombies, mas há quem viva como eles. Podemos não saber viajar no tempo, mas às vezes sentimos que estamos fora do nosso. Podemos não gostar de comédias e, ironicamente, viver numa. Podemos não acreditar em contos de fadas, mas lidar todos os dias com bruxas, trolls e continuar a fazer figas para que existam príncipes e princesas. Podemos até não acreditar em extra-terrestres e todos os dias ver coisas do outro mundo.

A verdade é que a vida pode ser mais estranha que a ficção, especialmente porque é real por mais surreal que pareça.




E, tendo em conta o que acabei de escrever, podem imaginar o quanto gosto deste filme.

21.6.12

Isto não é apenas um jogo



Daqui a pouco joga-se mais que um jogo.

Joga-se o futuro das conversas em elevadores, táxis e momentos para encher chouriços para os próximos dias. Por todo o Portugal, taxistas, mestres de sala, entertainers natos e gente sem muito jeito para meter conversa roem as unhas. Para alguns será altura de preparar a táctica de bater no ceguinho, tirar o velho do Restelo do banco ou manter a pressão moral em alta. Para outros, o ópio do povo não está fora de jogo, mudaremos o penteado do nosso destino com a facilidade com os nossos craques mudam o seu e vamos canalizar a nossa alegria pelos extremos.

Aconteça o que acontecer, só uma coisa é certa - podemos sempre culpar o Carlos Queiroz, o Governo e o Cavaco.

Histórias que a pornografia actual apagou


Quando eu era adolescente, a internet estava longe de ser o que é hoje. Já a pornografia continuava basicamente igual, tirando padrões vigentes a nível de depilação. O que interessa aqui constatar é que o computador ainda não era o melhor amigo do porno (e o canal18 ainda vinha lá ao longe).

Tirando soluções mais criativas, existiam duas formas de aceder à mesma na sua versão vídeo. Uma delas era o agora quase extinto “clube de vídeo”, em que os filmes desta categoria estavam em caixas de capa lisa com títulos sugestivos (e títulos de filmes pornográfico é toda uma categoria à parte) e, quando eram clubes sérios, só alugavam essas obras a maiores de 18 ou a tipos com perto de 1,80m simulando voz grossa.

A outra era o chamado “amigo do porno” que hoje se pode encontrar, bem mais crescido, na versão do tipo que regularmente nos envia mails (de uma caixa secundária) com a sua excessiva selecção de links de chavascal. Nesses tempos, esse tipo era o gajo que dominava o sistema de cassetes de VHS com fimografia porno.

Sem entrarmos em detalhes, a melhor história desse género prende-se com um amigo meu (e aqui seria sempre um amigo, um primo, mas por acaso até era) que tinha uma colecção do género. No entanto, vivia aterrorizado pelo facto da mãe, senhora deveras conservadora, poder descobrir cassetes com épicos como “O Triângulo das Mamudas” e viu-se na necessidade de arranjar um esconderijo seguro.

Como dentro de casa nada lhe parecia absolutamente inviolável, apercebeu-se que o elevador, que era daqueles antigos com porta de grade, podia ser parado entre pisos. Tendo isso por base, parava o elevador a meio do piso, abria a porta e escondia as cassetes no topo do elevador, tirando de lá uma ou outra, quando delas precisava.

E isto durou um ou dois anos. Até que o elevador avariou.

Não dando conta disso, o meu amigo foi surpreendido quando a mãe o chamou à porta. Lá estava também um senhor da empresa de reparações, com um saco cheio de cassetes a perguntar se aquilo era de alguém dali, porque tinha encontrado no elevador e até agora ninguém se acusara.

Vendo a colecção de um lado e a mãe do outro, sabendo que alguns títulos estavam escritos em maiúsculas à mão e possivelmente se olhasse para “Mete o teu diabo no meu inferno” a mãe ia reconhecer a letra, não lhe restou outra solução senão engolir em seco e dizer adeus mentalmente ao seu espólio porno. O que muito agradou ao senhor das reparações, que ao que parece suspirou com um enfado disfarçado “Bem, se calhar tenho eu de ficar com isto”.

Hoje em dia, esta história seria praticamente impossível.

20.6.12

Uma janela para a realidade


Olhou pela janela e esperou ver a rua com que sempre sonhara. Era uma rua especial, não por ser diferente, mas por ser daquele tipo de ruas em que toda a gente devia caminhar pelo menos uma vez na vida. Típica, icónica, com luzes e sombras na dose certa, em que a arquitectura do antigamente se fundia com a modernidade numa mescla perfeita cheia de adjectivos diferentes, para cada um utilizar como quisesse. A vista da rua dos seus sonhos incluía pessoas que não se limitavam a passar nela. Faziam-no com um propósito, com a consciência de que estavam ali e que isso era importante. Ao fim do dia, lembrar-se-iam de que haviam passado por lá.

Mas não, não foi essa que rua que viu. Choviam grossas gotas de realidade, pintando de cinzento e de cansaço, tanto passeios como pessoas. Dessas, as poucas que via, corriam para esquecer a rua que deixavam para trás.

Não lhe apetecia sair para uma rua assim, mas resolveu passar pelo bar. Sorte que este ficava à distância de um braço. Alcançou a garrafa e mediu a necessidade de ir buscar um copo. Venceu a lógica sobre a educação. Bebeu imaginando o melhor whisky que podia encontrar em terras escocesas, mas a imaginação não se sobrepôs ao travo da promoção mais barata que encontrara.

Com a cabeça encostada ao vidro da janela, deu por si a pensar nela. Ouviu-lhe distintamente os passos, lentos mas ritmados e imaginou como seriam os seus sapatos. Pousou a garrafa, voltou-se rapidamente e puxou-a para si. Beijou-a, mas não sentiu nada.

A verdade é que as fotografias não beijam bem e uma fotografia era o que tinha na mão. Os sapatos eram de uma espécie de tom beringela. Bem, pelo menos a fotografia não se queixara do bafo a álcool.

Suspirou, desviou o olhar da janela onde tinha ido novamente encostar a cabeça e, fitando o vazio, mandou o autor do blog à merda e fê-lo em voz alta. Tanta imaginação, tanto paleio e punha-o sempre a fazer personagens irónicos, que acabavam sempre  a ser lixados, sem direito a happy ending ou ao menos um toque cool e desejável. Estava farto. Queria ir às compras, queria uma história de vida a sério. Queria colar uma etiqueta cor de rosa nas costas ou ter aquilo que tantos outros tinham – o poder de serem melhores do que alguma vez seriam na realidade.

Mas não, tinha de estar com os cornos pespegados numa janela a ver cair gotas de realidade cinzenta ou lá que merda era aquela. Bonito serviço.

O recreio dos hipocondríacos


Confesso que tenho maltratado o hipocondríaco que há em mim. A verdade é que raramente lhe dou trela e nem sequer o convido para um cafézinho, especialmente porque sei que ele tem a ideia que o café lhe causa arritmias, insónias e mau olhado.

Diz-me ele, com a sua voz fraquinha por causa dos fumos que se inalam cada vez mais na vida na cidade “Tu não eras assim ou então sou eu que de enfardar tanto produto transgénico já não me lembro bem como eras”. Não gosto de lhe alimentar a hipocondria, até porque depois é capaz de passar a tarde toda a vomitar e a dizer que havia alguma coisa estragada na minha conversa, mas de facto algo mudou.

Mudou para mim, que nunca me dei assim tão bem com ele, mas mudou verdadeiramente naqueles que andam com o seu hipocondríaco mais à solta do que hormonas adolescentes em viagem de finalistas de secundário. E essa mudança chama-se internet.

Antigamente, um hipocondríaco tinha que bater o pé, sem outra certeza que não a sua convicção fictícia, sobre o facto de ter apanhado conjuntivite ao fitar demasiado tempo um contentor do lixo. Cabia à família mais próxima, amigos, médico ou agentes da autoridade, em casos mais extremos, tentar provar que não era bem assim e que o contentor normalmente não reage assim ao olhar das pessoas.

Nos dias que correm, pessoas normais conseguem por vezes ser mais práticas e precisas que alguns médicos, quando se trata de encontrar online situações ou sintomas clínicos que descrevem aquilo que estão a sentir. O problema é que os hipocondríacos com acesso à net também não têm dificuldade alguma em encontrar pelo menos um exemplo da maleita que os persegue, por mais distorcida e surreal que seja.

Isto porque nesta aldeia global, há sempre um maluco algures que é o nosso espelho.

“Estás a ver, é mesmo isto, este tipo no Turquemenistão sofre do mesmo que eu”
“Dores lancinantes nos joelhos? Terrores nocturnos? Incapacidade de se locomover sem ajuda?”
“Exacto, está aí tudo no blog dele, nãos estás a ver? Tem fotos e tudo”
“Epá, mas este gajo pisou uma mina e foi atropelado por um tanque...Tu és contabilista na Brandoa e nem à tropa foste...”

Este é um mero exemplo, porque a um hipocondríaco  caso não ache que a Internet causa dores de cabeça e seborreia no contacto com elementos do sexo oposto, nada é mais fácil do que encontrar um sintoma que tenha um paralelismo com o seu.

É um bocadinho como os signos, se uma pessoa fechar bem os olhos e não pensar na Maya, encontra sempre lá algo que pode ter a ver consigo...

19.6.12

Discos pe(r)didos

Não vos quero convencer de nada. Mas, da minha parte não há dúvidas que, quase dez anos depois, este álbum duplo continua um espectáculo e vou aproveitar para dizê-lo muitas vezes, enquanto não passo a ser um mero “espetador”.




Quem conhece e aprecia sabe do que estou a falar, quem não conhece está no seu perfeito direito de torcer o nariz. Felizmente, no que toca a música há fartura suficiente para agradar a toda a gente.

Se esta ou esta sempre foram das mais rodadas, não há nada como voltar a ouvir tudo de vez em quando, para me lembrar do bom que é ouvir isto, aquilo e até mesmo aqueloutro.


E isto aqui não é um pseudo-poço de sapiência onde se vem sorver cultura e emborcar sugestões iluminadas. Rio-me, com coisas verdes nos dentes, de quem por breves instantes possa ter essa ilusão.

Doutor, querer ser tratado por Doutor é doença?


Somos uns parolos.
Quer dizer, eu não sou e tenho a impressão que pelo menos vocês, os dez da esquerda, também não são. Pelos outros não meto as mãos no fogo, que eu bem vi o que aconteceu à Sónia Brazão quando se pôs com essas brincadeiras.

No entanto, quando se começa uma frase em que se quer insultar um grupo, por vezes é bem jogado ficarmos incluídos de modo figurativo na pandilha.
Isto para voltar a dizer que somos bastante parolos, pelo menos no que à história dos títulos diz respeito.

Tantas doenças que já foram erradicadas, a maior parte da gente já samos alfabetizados e voçês, como eu já saberem escrever e ler prefeitamente e subsiste o gozo pacóvio em gostar da deferência do Doutor, Engenheiro, Arquitecto ou Professor. Na Idade Média sim, a coisa fazia sentido, porque se eu não chamava Vossa Senhoria ou coisa que o valha a um nobre qualquer e o tipo vinha calcar-me os genitais com coisas aguçadas, tostar-me a família toda e sorte a minha que naquele tempo não existiam os programas da manhã, senão a tortura seria completa.

O mais interessante é que, por cada patego que insiste em que o seu nome é Doutor, embora a mãe tenha ido por Bonifácio Eleutério, existem três monos formatados que, de sua livre e espontânea vontade, insistem em bajular gente com títulos que por vezes nem sequer têm existência real. É o resultado de anos e anos ao serviço do Estado ou de instituições em que possivelmente se convencionou que se chamarmos 400 vezes Professor a um gajo isso vai apagar o facto dele ser um incompetente.

Um título não torna ninguém mais educado, nem eu falto ao respeito a ninguém se o tratar com respeito mas não lhe olhar para a etiqueta académica/profissional. Porque se é para distinguir as pessoas pelos méritos, há para todos os gostos:

“Permita-me dizer, cara Prostituta Svetlana, a sua performance foi do mais elevado gabarito.”
ou
“Ilustre técnico municipal de saneamento, a mestria com que retira excrementos caninos do passeio faz-me pensar que não fez a sua educação em Portugal”
Ou
“Distinto Operador de Call Center, há que reconhecer que embora a sua formação possa ser em Sociologia, há em si traços de dedicação e empenho que me permitem qualificá-lo como um chato do caraças e, como tal, um exemplo para a sua classe.”

Somos parolos enquanto não deixarmos que sejam as capacidades de cada um a conferir-lhes distinção que merecem (ou não) e continuarmos com resquícios de feudalismo pós-moderno.

E se não pensam assim, podem tratar-me por Professor Doutor Bonifácio.

Às vezes penso

Mas depois vejo que é engano e volto a dormir.

15.6.12

Se a Selecção de Portugal fosse um gajo e convidasse uma mulher para jantar


Assumamos numa perspectiva alucinogénica que a Selecção de Portugal é um gajo. Não se trata do Ronaldo, do Coentrão ou do Meireles, mas sim aquilo a que genericamente se designa como um gajo, com todas as suas virtudes e defeitos. Assumamos também, a bem do exercício, que a mulher se chama Vitória, já que a Selecção ambiciona somar vitórias, assim a coisa torna-se linear. Mais uma vez, não se trata aqui da senhora Spice Beckham, nem um anjinho daquela simpática marca de lingerie embora, a bem do imaginário, a possamos imaginar como tal, mas com uma pequena verruga algures no rosto, só porque ninguém gosta de andar de braço dado com a perfeição.

O Selecção (não esqueçamos que é um gajo) anda de olho na Vitória há algum tempo. Ele acha que tem hipóteses, que tem valor e é merecedor da Vitória, apesar de boa parte das pessoas continuar a achar que sim, que ele até nem é mau rapaz, mas fala muito e faz pouco e o tempo vai passando. Entretanto, dizem as más línguas, a Vitória não se faz rogada e vai-se entretendo com um espanhol, saindo também com um alemão de quando em vez. Vivemos num mundo moderno, Vitória é livre e apesar de achar piada ao Selecção, não pretende nem morrer virgem, nem à espera de um cavaleiro de armadura, nem sequer ser confundida com a sonsa da sua meia irmã, a Vitória Moral que essa então vai com todos os que têm conversa, mas não fazem nenhum. Se o Selecção perceber que estes são os três pontos em disputa, pode ser que se safe.

O problema é que o Selecção, que quando se penteia, lava os dentes e não fala demais até é bem parecido, sofre de uma espécie de mania das grandezas associada a uma Calimerozice de primeira, o que o torna uma espécie de bipolar sempre a cair em fora de jogo, quando se trata de mostrar que quer a Vitória a sério. Se for preciso, primeiro surpreende-a com um original convite para irem jantar, Vitória acede, mas Selecção acha que ela não foi muito efusiva e começa logo a pensar que se vai lixar e que na volta ela só quer comer à conta. Perde-se nas suas dúvidas e quando dá por si já só falta uma hora para ter que a ir buscar a casa, sim porque a menina é fina e não podia ir de Metro, ainda está de fato de treino e nem sequer se despenteou convenientemente.

De repente, num assomo de consciência, pensa nas pessoas todas que tão prontamente lhe dizem que não tem qualquer hipótese com a Vitória e, em dois tempos, está pronto e ainda tem dez minutos para ir ao canteiro da vizinha sacar umas flores, que o Selecção às vezes funciona assim, com a inspiração do momento.

Vai buscá-la a casa, descem até ao carro, que é um modelo ligeiramente acima das possibilidades do Selecção, mas para este tipo de eventos as pessoas até toleram as suas manias, desde que finalmente o vejam a fazer qualquer coisa para ficar com a Vitória. Confirma pelo canto do olho que a Vitória sentada ao seu lado é boa como o milho mas distrai-se com o olhar tempo demais e Vitória sente-se algo desconfortável. Selecção não dá por isso e julga que é por ela também o achar bom como o milho.

À entrada do restaurante, Selecção encontra dois amigos e para além de não lhes apresentar a Vitória, não vá a coisa correr mal e ele é que fica mal visto, resolve ficar na palheta. Vitória entra e encontra o alemão no bar, onde este flirta despreocupadamente com ela. O Selecção repara nisso e entra a matar, dizendo ao alemão de forma rude que a Vitória entrou consigo. O alemão sorri e diz que não importa com quem entra, mas sim com quem sai. Meio de cabeça perdida o Selecção diz ao alemão que por acaso viu a mãe dele a sair com três turcos e já ia bêbeda. O Alemão responde que tinha pensado que o Selecção é que tinha andado na brincadeira e levado três dos turcos.

Vitória boceja, começa a ficar farta e pensa se ainda vai a tempo de ligar ao espanhol.

Conforme a vê a pegar no telemóvel, Selecção olha para cima e pergunta a Deus como é possível correr sempre tudo tão mal, quando ele faz tudo para que corra bem. Estando a olhar para cima não repara num empregado com uma bandeja de sopas e suja boa parte do fato. Suspira e começa já a pensar nas desculpas que vai dar amanhã quando lhe perguntarem como correu. Mas, do nada, surge-lhe uma inspiração e vai à luta, não quer saber, pode já ter estragado tudo mas não desiste.

Chega ao pé de Vitória, delicadamente tira-lhe o telemóvel da mão e põe-lhe um dedo sobre os lábios, em sinal de silêncio. Surpreendida, Vitória hesita, mas acaba por se ir sentar com ele à mesa. Durante o jantar,  Selecção é encantador, dribla temas com elegância, surpreende ao citar Coleridge e diz que um dia têm de ver uma interpretação de Werther por Jules Massenet. Vitória diverte-se, porque sabe que Selecção gosta tanto de ópera e poetas britânicos como ela gosta de empatas, mas aprecia-lhe o esforço.

No fim do jantar, depois de algum tempo à conversa, Selecção oferece-se para levar Vitória a casa. Uma vez mais ela hesita e parece querer dizer qualquer coisa. Selecção sente-se de repente muito injustiçado, por uma vez mais ela estar a mostrar dúvidas e, na sua cabeça, isso só quer dizer uma coisa – a Vitória não quer nada com ele.
“Queres que te leve até casa do espanhol não é?”

Vitória fica de boca aberta, não esperava aquela reacção, por ela até podiam aproveitar aquela noite para se conhecerem melhor, mas aquela inconstância e aquela montanha russa de emoções dá-lhe cabo dos nervos. “Sim....pode ser”, acaba por responder e o Selecção deduz que toda aquela hesitação tem a ver apenas com o facto de a ter surpreendido ao ser tão intuitivo ao ler os seus pensamentos.

Pelo caminho todo vai a amaldiçoar-se e a dizer “Eu sabia, eu sabia”. Quando chegam ao destino, despedem-se e, por um momento, ao segurar nas mãos de Vitória, Selecção pensa que podiam ficar juntos. Ela sorri e faz-lhe uma festa na cabeça e ele percebe que ainda não está pronto, quem sabe um dia. Vitória afasta-se e, perdido por cem, Selecção fica a galar-lhe o cabedal enquanto ela desaparece pelo portão da vivenda do sacana do espanhol.

Selecção sente-se triste, mas acha que não podia fazer muito mais, aliás começa a pensar que esteve muito bem e foi mesmo o azar a lixá-lo. Como precisa de desabafar com alguém acaba por ligar à irmã de Vitória, Vitória Moral, que com essa é limpinho, é dar-lhe um toque e ela está sempre disponível.

Hoje vai ter que ser assim, mas para a próxima a Vitória não escapa.

14.6.12

Não se trata de ser bom, trata-se de ser diferente

Este tipo achou que fazer um triatlo não era desafio suficiente. Vai daí resolveu fazer um triatlo "Chapitô style"numa competição local. Só por si, acho ideia interessante, mais ainda depois de saber que só deixou cair as bolas duas vezes e durante o percurso de natação.



Só gostava de ver a reacção/pensamento dos cerca de cem gajos que acabaram a prova depois dele. E agora poupo-vos aqui a um trocadilho de má índole com as palavras "bolas" e "mãos.

Vamos fingir que isto não aconteceu


Então e agora?
Agora vamos apagar a luz, dormir e fingir que isto não aconteceu...
Pois, mas a luz estava apagada quando isto que não aconteceu, aconteceu.
Então deixa a luz acesa e finge que isto não aconteceu.
Com a luz acesa não consigo dormir.
Tenta.
Tento o quê? Fingir que isto não aconteceu?
Não, dormir de luz acesa.
Isso não consigo. Para adormecer tenho de apagar a luz.
Epá, mas isso foi o que eu disse, APAGA a luz, DORME e finge que isto não aconteceu.
Não é melhor ser ao contrário?
Não acabaste de dizer que não consegues dormir de luz acesa?
Não é isso, tenho de fingir que não aconteceu primeiro e só depois adormecer.
O quê???
Se adormeço primeiro, depois não tenho a certeza de conseguir fingir que não aconteceu. Vou estar a dormir, como é que eu sei?
Oh meu Deus, faz como entenderes, eu vou dormir.
Mas vais fingir que isto não aconteceu antes ou depois de adormeceres?
AGORA, estou a fingir AGORA que isto também não está a acontecer.
Ah, isto também não aconteceu.
NÃO.
Ok, tudo bem . Eu também já estou a fingir que isto não aconteceu.
...FAZ ISSO.
Olha, já está. Agora vou dormir.
Até amanhã.
... Assim não consigo.
SANTA MARIA MÃE DE DEUS, mas PORQUÊ?
Tens a luz acesa. Já te disse que não consigo dormir de luz acesa.
Click.
...Estás a dormir?
ESTOU.
Eu ainda não...queres saber porquê?
NÃO.
Lembrei-me daquilo que aconteceu. 
E então?
Então agora tenho de estar primeiro a fingir que não aconteceu, antes de adormecer.
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