16.2.12

Se o fim do mundo for um livro, só vamos dar por isso quando sair o filme

Cada vez há menos tempo para tudo.

O que faz com que ter tempo seja um luxo.

Para ler é preciso tempo.

Quando falo em ler, não digo passar os olhos pelo jornal.

Ou ler porque faz parte do trabalho.

Ler é mergulhar num livro e sair só quando a sede o tiver bebido por completo.

Eu consigo parar o tempo quando estou a ler.

Mesmo que o tempo não perceba isso.

Os dois minutos que vais demorar a ler isto nunca existiram.

Na geração do imediato não há tempo para enredos.

Quer-se saber o final da história, já.



Final da história: Ler menos significa escrever pior o que significa comunicar pior, o que significa que caminhamos para uma era evoluída de comunicação primitiva.



A internet, o mundo virtual e os telemóveis promovem o que é resumido.

Td pk assim qq 1 tem +tempo n é? LOL

Não haveria problema, se não nos ficássemos sempre pelo resumido.

Muitas pessoas com cargos de direcção/formação cada vez lêem menos.

A carreira toma-lhes porventura muito tempo.

Falhas de comunicação, linguagem mal articulada, erros grosseiros fazem parte dos quadros das empresas.

Os poucos que percebem, riem-se. Os outros também, mas só se os chefes se rirem.

Há quem pense saber escrever e não consiga ler nas entrelinhas que está longe disso.

O erro não existe, porque ninguém detecta o erro.

Em breve, boa parte dos livros não serão livros.

Serão algo parecido, mas simplificado e escrito de forma muito parecida com a escrita, mas sem ser necessário complicar. Simplifica.

Sê Ligeiro, light, prático e rápido.



Se o fim do mundo chegar um dia na forma de um livro, estamos safos.

Há boas hipóteses de muito poucos darem por ele.

14.2.12

O amor no fundo do bolso

Estou longe de pensar que sei mais sobre amor do que qualquer outra pessoa que tenha nascido com um coração e não tenha medo de o usar. Aliás, estou longe de pensar que o amor é algo que seja pensado.

No entanto, ao contrário de filmes e livros onde secretamente torço para que vilões levem a melhor e os finais estejam longe de ser previsíveis, gosto de encontrar à minha volta história felizes nessa matéria. Mas, na vida não existe um controlo remoto que nos permita ligar/desligar, aumentar/diminuir e regular o que quer que seja na vida dos outros, pelo que a vida corre o ritmo que tem que correr.

Portanto, longe de paternalismos, conselhos em seara alheia e elaboradas teorias que conduzem à felicidade, permitam-me que partilhe convosco uma metáfora que, não trazendo conforto, possa ao menos trazer um sorriso. É uma metáfora idiota, mas se fosse racional, inteligente e perfeitamente válida, o mais provável seria que não tivesse nada a ver com o amor.

O amor pode ser como uma nota de 20 Euros escondida algures no fundo do bolso de umas calças que temos no armário. Não é uma nota de 5 ou de 10 porque isso seria demasiado trivial e pouco significativo para ser amor. Não é uma nota de 50 ou de 100, porque o amor é algo real e notas de 50 ou 100, para a maior parte das pessoas não o são, especialmente no fundo de bolsos. Portanto, fantasiemos dentro das nossas possibilidades.

Não é possível dizer quando vamos encontrá-lo e em que condições vai estar. Talvez apareça quando menos estejamos à espera ou até quando mais precisamos. Pode aparecer nos lugares mais improváveis e nunca nos vamos lembrar de o procurar aí até o encontrarmos. Pode até aparecer tarde demais, como quando tiramos as calças da máquina de lavar, mas se o descobrirmos, até nessa altura tudo vamos fazer para o desfrutar.

Na verdade, podemos até nunca vir a descobri-lo.
Mas, a diferença será sempre entre acreditar que ele existe e somos nós que não sabemos onde ele está ou pensar que isso só acontece aos outros, coisa que vamos defender a vida inteira, até ao dia em que o encontrarmos.

Se todos temos bolsos, porque não acreditar que toda a gente um dia pode encontrar o amor no fundo de um deles. Ou, na pior das hipóteses, que pelo menos lá esteja uma nota de 20€.

13.2.12

Lana del Rey é a sua tia

Estando já cumprido o desígnio criativo e ligeiramente imbecil que é juntar Lana del Rey e Santana Lopes num só título de post, aproveito a ocasião para me deleitar um pouco mais nesta comparação.

O que à partida parecem ser universos completamente distintos, acabam por ter pontos de aproximação deveras curiosos. Ambos são fruto de reinvenções pessoais, de percursos onde não faltam polémica e zonas sombrias, dúvidas em relação ao seu valor genuíno e uma capacidade de sobrevivência em relação às criticas.

É certo que o que resta da melena e do charme de Santana aparenta ser cada vez mais residual, ao passo que o bom aspecto de Lana parece ter vindo para ficar. No entanto, a origem do charme do senhor e dos lábios carnudos da senhora continuam envoltos em dúvidas.

Ambos escolheram nomes de guerra sonantes, se bem que “menino guerreiro” tende a criar um impacto menor que “uma Nancy Sinatra gangster”. No entanto, apesar de experiências menos bem sucedidas como Pedro Santana Lopes presidente do Sporting ou Pedro Santana Lopes primeiro-ministro, não fizeram com que Pedro Santana Lopes politico trocasse de nome. Já Lana del Rey nasceu após o fraco sucesso que Lizzy Grant obteve no mundo musical, agora com apoio de uma máquina de marketing e um pai abastado.

Em termos de actuações ao vivo, ambos também já foram postos em causa, Pedrito pela facilidade com que se enerva perante provocações pueris, Lana pela dificuldade em exprimir emoções num dos maiores programas televisivos americanos.

Numa época em que se criam ícones com facilidade, talvez não fosse má ideia pensar numa espécie de Santana del Rey. Alguém com muito bom aspecto que nos diz coisas que parecem fazer sentido, mas com emotividade e expressão, de forma a que não nos importemos em relação à trampa toda que fizeram no passado e aproveitemos o presente o suficiente para não ter que pensar no futuro.






11.2.12

A elegância de caminhar à beira do precipício

Se caíres vão dizer que eras assim, destemido, aventureiro, uma alma livre, talvez frágil, mas forte no desejo e na intensidade com que deste cada passo rumo a um destino que nunca quiseste traçar para além da passada seguinte.

Se não caíres vão dizer que és inconsciente, que pões em causa o que é certo pelo fascínio de uma incerteza que nunca conhecerás realmente, porque simplesmente não és assim. A cada passo que dás questionas cada passo que deste e se o fazes junto ao precipício é apenas uma e outra vez para voltares para trás.


Segundo a estatística, 78% das pessoas que caminharam à beira de precipícios e caíram sentiram-se lisonjeadas por este texto.