13.12.12

O drama é mais fino que o humor


Gosto de ler, gosto de escrever, mas não sou um perito em literatura. Mesmo que não tivesse consciência disso, felizmente tenho à minha volta pessoas cujo trabalho e cuja dedicação tornam o seu saber nessa área gigante em comparação com o meu. E isso é bom porque neste tipo de coisas é mais fácil “crescer” quando os que nos rodeiam são maiores que nós.

No entanto, isso não me impede de ter opinião sobre aquilo que leio e aquilo que gostaria de ler. Enredos dramáticos, pesos pesados no coração, reflexões profundas com um fundo negro, tudo isto é fácil de encontrar em doses monumentais, especialmente nas alas bem cotadas do mundo literário. Por outro lado, se é verdade que no geral não faltam bons livros com uma vertente de humor, alguns deles mesmo muito bons, tem-me sido difícil encontrar escrita contemporânea de autores portugueses com toque de humor inteligente que não caia na comédia de costumes ou na junção de crónicas, compilações e afins.

Quem estiver devidamente informado na matéria que faça o favor de se chegar à frente mas, se a minha ideia estiver correcta, nas hostes literárias o humor é encaixado com um valor menor face ao drama e sendo a oferta menor, a base para encontrar qualidade também se torna mais reduzida e isto é um ciclo que se perpetua.

Que não se confunda a escassez do tema, com a falta de qualidade, existem vários autores portugueses a escrever bem e a botar obra cá para fora. Mas, em boa parte dos casos, com enredos a pender para o drama e para o lado mais “apetecível” aos olhos da comunidade literária. E atenção eu não acho que a escrita de humor tenha de ser algo levezinho e meio tonto, é tudo uma questão de perspectiva.

E agora, desmintam-me que eu agradeço.

1 comentário:

  1. O humor é considerado entre nós, portugueses, como um género menor. Humor é sinónimo de rapazitos a mandar umas piadolas. Tens uma colecção excelente da Tinta da China, com obras selecionadas pelo RAP, de clássicos do humor (Os Cadernos de Pickwick e Jacques, o Fatalista, como dois exemplos). Agora, escritos originalmente em português? Contemporâneo? Esquece. Seria sempre algo votado ao ostracismo literário, arrumado numa mísera "secção" de humor (que muitas vezes não passa de uma ou meia prateleira).
    Além da literatura, isto também se aplica ao cinema.

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