2.12.12

De tão diferentes às vezes somos tão iguais



Ontem fui sair à noite, beber um copo entre amigos e arejar um bocadinho depois de um mês de Novembro que foi um autêntico circo de actividades. Como um dos sítios a que costumamos ir estava fechado para obras, dei por mim a ir marcar tempo a uma espécie de associação/colectivo alternativo com música, poetas modernos e zona lounge com ar meio trendy, meio sindicalista.

Como cada um só vai onde quer, até aí tudo bem, mas ao fim de um bocado uma das pessoas que estava comigo disse-me “Já viste, este é um espaço diferente, mas dentro daquele diferente que atrai um certo número de pessoas iguais”. Ao início, pensei que era o Moscatel a bons preços a falar pela minha companhia, mas depois comecei a olhar e constatei alguns factos que lhe davam alguma razão.

Três em cada quatro gajos tinham bigode ou barba e boa parte deles vestia aquele casual artístico que roça o conceito “Deitei-me com esta roupa, levantei-me e depois saí com ela”. As mulheres seguiam também a linha alternativa, mas com mais algum aprumo. Curiosamente, este ar semi-artístico intelectual contrasta com a maior parte dos gadgets/smartphones, muitos deles de última geração.

Há um padrão e quando se sai à noite, como as pessoas vão muitas vezes para os mesmos sítios, o padrão vê-se mais facilmente e o alternativo passa a mainstream. E o engraçado é quer se seja hipster, freakster, etc e tal, quando se assume os códigos do grupo, nota-se que o “ser diferente” não é bem o mesmo que “parecer diferente”.

Quanto ao meu padrão também vale o que vale. O meu gorro e o meu casaco quentinho aproximavam-me talvez mais dos arrumadores da nossa praça. Com a diferença que possuo talvez mais dentes próprios.

5 comentários:

  1. Acho mesmo que agora o "alternativo" está na moda, e mesmo que as pessoas tenham um estilo diferente, procuram sempre usar o que está na moda em virtude de alguma falta de identidade própria.

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    1. Se calhar, mais do que falta de identidade, vivemos numa época em que identidade é um conceito muito moldável...

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  2. Oh meu deus... agora que leio isto reparo que já não saio à noite há algum tempo, para locais do genero que falas... não fosse a parte do convivio diria que não perco nada. Assim até me sinto a ficar velha. :)

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    1. Vivemos para aprender. Só quando achamos que já não temos nada a aprender (ou que temos muito pouco, face ao que sabemos) é que se calhar estamos velhos :)

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  3. Gostei. E acho que tens toda a razão.

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