7.11.12

Um Obama no canto do olho



Para quem é fã de política internacional, ontem foi um serão muito animado. É o equivalente aos Óscares e aquelas galas em que no dia a seguir toda a gente fala de vestidos ou, ocasionalmente, do conteúdo do evento em si. Na política não se fala tanto de roupa, a não ser que seja suja.

A verdade é que eram duas da matina e continuava eu a martelar no meu teclado, tentando que palavras, conceitos e enredos façam mais sentido do que a vontade de dormir, mas cada vez que ia à janela das redes sociais via que não estava sozinho. Surpreendeu-me o número de pessoas, algumas das quais julgava mais distantes da política do que eu estou do Azerbeijão (e tenho um grande respeito por qualquer país cujo nome acabe em “beijão”), que estava a acompanhar o desenrolar das eleições americanas.

Bem sei que o Obama é icónico, que o espectáculo é mediático e que há gente que só precisa de uma boa razão para preencher o vazio da noite, mas não creio que não era só isso. Apesar de toda a tralha política, de todo o bullshit de campanha e de como vivemos num mundo em que o que vemos, nem sempre liga com a realidade das coisas, nós queremos acreditar. Em algo mais, em algo que não é cinzento, em algo que vai para além da espuma dos dias.

E a América, país do show off, de repente fica tão perto. Os nossos impostos não baixam, a nossa corrupção não desaparece, a nossa crítica sem falta de rumo não se orienta por obra e graça de um qualquer Sebastião regressado. Mas vemos eleições que parecem filmes, políticos que parecem ter aura e discursos que cativam e, de repente, estamos sentados no sofá a desejar que os bons vençam os maus e que o mundo deles (e o nosso por consequência) fique melhor.

Gosto do Obama mas, à conta dele, deitei-me pelo menos uma hora mais tarde. Porque também ia espreitando, adiando um pouco a realidade do meu trabalho, para ver quem ganhava o duelo de pistoleiros no Velho Oeste. É coisa de filme, mas de vez em quando sabe bem.

É que, por cá, a cidade está deserta e não há pistoleiros bons no horizonte. Só o conforto momentâneo de uma história lá ao longe que vai ter um novo capítulo que nós também gostávamos de poder chamar nosso.

3 comentários:

  1. olha que nem só de roupa suja se faz a política... hoje já há notícias sobre o facto de a Michelle ter usado ontem um vestido que já usou 2 vezes (a mim cheira-me que até isso é marketing!)

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  2. Eu também fiquei um pouco até mais tarde! E também se fez a associação com os óscares!Telepatia...

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  3. opá ó Mac, quando é que te juntas ao tuito com mais frequência? estava animadíssimo ontem, pá :p
    Bjo

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