13.11.12

Um dia o quadro vem abaixo


Não será exagero da minha parte dizer que boa parte das pessoas já viveu ou esteve algures na sua vida numa casa em que para ligar a máquina de lavar é preciso desligar o secador ou quando usam o forno eléctrico não podem passar a ferro. Quando ignoramos isto lá dispara o disjuntor, o quadro vai abaixo e, se a coisa se passa de noite, somos obrigados a lembrar-nos de onde está aquela velha lanterna e que velas não são coisas que só fazem sentido em Fátima ou em ambientes de pseudo-romantismo.

Falta de potência eléctrica, um clássico habitacional lusitano.

Quando há cerca de um ano mudei de casa, quis garantir que esse capítulo da minha vida tinha acabado e que só voltaria a fazer a piada manhosa de cantar os parabéns quando a luz vai abaixo em eventos sociais e residências alheias. Fiz obras a sério, a instalação eléctrica foi toda revista, os pontos de acesso estavam lá todos e SÓ faltava ir à EDP pedir o aumento da dita cuja, já que os antigos residentes viviam ainda na Idade da Pedra da utilização de equipamentos eléctricos.

Este SÓ já vai em quase um ano de procedimentos burocráticos e um ping pong entre a EDP e a Certiel, uma empresa teoricamente alinhada com a primeira que devia garantir a certificação de forma independente. Entre deslocações, emails e telefonemas, possivelmente tinha rentabilizado o meu tempo com melhores resultados se tivesse ido até à China falar directamente com os senhores que agora controlam os nossos interruptores.

Entre bipolaridade de funcionários, truques amigos que dizem que vai fazer ficar tudo bem de um lado, para escândalo e olhar de lado quando se chega ao outro, soluções e facilidades que depois não se concretizam, incompetência e falta de coerência na ligação entre dois serviços que, em vez de complementares, parece que existem para se complicarem mutuamente, não há forma de chegar a uma solução. O bom atendimento não é apenas um sorriso e uma voz pausada, é também fazer algo para resolver o que é pedido.

Já tenho actas de condomínio, cartas assinadas por administradores, avais de fiscais sobre o ramal do prédio, electricistas certificados dispostos a jurarem de joelhos e a irem em procissão até onde for preciso e nada. Estou até disposto a lamber uma ou  duas tomadas e a meter a cabeça no forno (eléctrico) só para mostrar o meu empenho a conseguir o raio do aumento da potência.

E nada.

Só de uma coisa não se esquecem de me avisar. “Olhe que o mercado regulado acaba no fim do ano. É melhor mudar a electricidade e, já agora, o gás para o nosso serviço livre senão fica a pagar mais e ainda leva multas por cima. Aproveite agora que lhe damos um desconto porreiro nos dois serviços”.

Dão-me um desconto? A mim?

Meus literalmente caros e pouco potentes amigos, o desconto já eu vos ando a dar há quase um ano e o que é um pedido normal e natural continua a ser tratado como se fosse uma extravagância. A minha vontade era mandar-vos o quadro abaixo, a ver se ao menos assim se fazia luz.

6 comentários:

  1. Infelizmente temos de nos saber mexer com esta gente, senão não conseguimos é nada...

    Boa sorte com a tua saga... que tenha um fim em breve... ;)

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  2. Podemos fazer outra petição, desta feita para velinhas para o bom do Mau... vem aí o Natal, as festas, pela certa aquilo vai abaixo!! Melhor ter umas quantas velas... e as senhoras gostam!
    Não, não me agradeça meu caro, é um gosto.
    Morena

    Sorte com isso.

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  3. Agora... imagina isso numa empresa.
    hum, hum... inacreditável, não? Pois... mas é verdade... (ministério da economia, edp e câmara municipal. Todos com medo uns dos outros).
    "Olhe, importa-se de me vender electricidade muito cara que eu quero pagar, se faz (um grande) favor? É que me dava jeito para produzir coisas que até se vendem..."

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  4. Rapaz, isso é que vai para aí um apagão... Por onde andas tu sumido?

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  5. O povo é sereno e eu simplesmente, ser mortal dotado de duas mãos e com apenas 24 horas por dia para fazer coisas, tive que colocar o blog na gaveta da cómoda.

    Não está esquecido, até porque está ao pé de peúgas e cuecas lavadinhas...

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  6. Pelos vistos o que descreves é procedimento padrão de funcionamento. Conheço casos identicos que nem sei ao fim de quantos novelos desenrolado conseguiram resolver as coisas.

    Mas o que me intrigou é essa do final do ano terminar o mercado regulado. Não sei exatamente o que isso implica pelo que fui pesquisar. Mas percebi que não é com uma simples leitura que se apanha o conceito geral... (http://www.erse.pt/pt/electricidade/agentesdosector/comercializadores/Paginas/default.aspx)

    Ainda assim tenho sérias dúvidas que atribuir mais serviços à mesma empresa seja vantajoso, por mais emails que me cheguem à caixa do correio.

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