21.10.12

Ó Tântalo, em Portugal eras um menino



De acordo com a mitologia grega, sempre pródiga em castigos e em patifaria do pior, o Tântalo para além de ser um dos mais que muitos filhos de Zeus com ninfas, mulheres cá da terra e tudo o que se mexia no feminino, foi um tipo que se portou mal.
Quem quiser conhecer a história completa que se informe mas, em resumo, foi apanhado e castigado com requintes de malvadez, coisa que aos deuses gregos muito aprazia. O seu suplício consistia em estar de pé num sítio com água, digamos abaixo da cintura e com uma árvore de fruto na margem, cujos ramos pendiam quase sobre si, não podendo sair do mesmo sítio. Quando tentava apanhar um fruto, o vento afastava os ramos de si, quando se baixava para beber água, a água baixava para além do seu alcance. Antes que me venham com questões técnicas e dúvidas lógicas, amigos trata-se da mitologia grega, havia tipos que criavam outros a partir de cortes em partes do seu corpo, ciclopes e hidras, só para dar exemplos. Não é para racionalizar.

Pensei no Tântalo a propósito do meu sentimento sobre o país e aquilo a que assistimos em tempos de crise em Portugal. Gosto demasiado disto e a minha vida está estabelecida de tal forma, que não tenciono sair do país. No entanto, tendo por base um país que reúne condições tão positivas, que vão do clima, à localização, à cultura e diversidade, etc e tal, parece sempre que falta algo e isso ainda se nota mais em clima de adversidade.

Se ainda tentamos chegar ou criar alguma empatia com os titulares de cargos públicos responsáveis pelo funcionamento (ou não) das estruturas e governação do país, descobrimos que a existir os que efectivamente se preocupem com o conceito “todos” ou “bem estar do país” antes de se preocuparem com “eu” ou “safar-me a mim e aos meus”, são uma clara e evidente micro-minoria.

Para quem tenta ficar e inovar por si ou criar algo que contribua, seja de que maneira for, para criar bem estar e novas soluções que melhoram a sociedade (diga-se de passagem que em termos sociais e não me refiro a campanhas do Banco Alimentar, nem situações esporádicas, muitas vezes temos pouca consciência social), a forma como as coisas estão estruturadas não só dificultam, como reforçam a importância do factor sorte, do “alguém que conhece alguém” e por aí em diante.

Resumindo, muitos em Portugal, tal como o Tântalo, virem-se para onde se virarem, não conseguem chegar a lado nenhum e isso tira o ânimo mesmo de quem muito gosta do seu país. Aquilo que faço permite-me falar de uma posição privilegiada e, embora sarcástico, sou positivista mas vejo tantos exemplos de inoperância à minha volta que, por vezes, olho para Portugal como olho para a Costa da Caparica. Funciona, mesmo que mal, mas se calhar para aproveitar mesmo bem a coisa a sério era mandar quase tudo abaixo e começar de novo.

Não é possível, eu sei, ainda por cima se os tipos da mitologia nem sequer a Grécia safaram, quanto mais virem cá castigar uns quantos a Portugal...

2 comentários:

  1. Devia aparecer alguém (até podia ser um extraterrestre) e dizer:"pessoal,isto está mal, o país até é bonito, come-se como não se come em nenhum outro, o clima é bom, mas temos que mandar para Marte, e isto é para não dizer para outro sítio,todos os governantes e seus derivados espalhados de norte a sul e vamos começar de novo, vamos arregaçar as mangas e fazer disto um país a sério" Será utopia? Ainda tenho fé que tal aconteça.Talvez não seja para mim mas se for para os meus descendentes já me dou por feliz.Mas que tem que haver uma grande mudança de mentalidade da maioria dos portugueses, tem e não pôr atrasados mentais no governo nem em lugares de chefia.

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  2. Ah pois... um extraterrestre ou aparecer o bendito do Sebastião, numa manhã de nevoeiro e livrar-nos dos nós próprios de todo o nosso mal!! Sendo que o nosso mal, é mesmo estarmos sempre à espera que apareça alguém para nos salvar milagrosamente, sem que nós nos tenhamos que empenhar verdadeiramente!! É uma romântica...

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