3.10.12

Nem só de carochinhas se fazem as janelas



Muitos são os dias que passo à janela, às janelas. Saio de casa e, cerca de vinte minutos depois, lá estou eu, à janela. Às vezes fico apenas a ver o que os outros põem nas suas próprias janelas mas, noutros casos, também atiro coisas lá para fora.

Houve vezes em que atirei a primeira coisa que me veio à cabeça, dias em que pensei cuidadosamente no que queria atirar e dias até em que não atirei nada, porque não podia atirar as coisas como queria e resolvi esperar por uma ocasião melhor. Se é que isto tem alguma coisa de curioso, o facto é que às vezes não me apetece estar à janela onde estou, apesar de saber que tenho de o fazer ou melhor, que o devia fazer.

Corro por uns instantes, sem sair do sítio, para abrir outra janela e nela deixar o que não posso ter na outra, antes de a fechar e voltar para onde não deveria ter saído. Parece confuso mas não é, pelo menos é o que digo a mim mesmo e espero que os outros também acreditem.

Se alguém estudasse isto de abrir janelas, logo descobriria quem abra janelas para que os outros vejam o que se passa lá dentro. A mim sempre me deu mais gozo olhar para o que vejo lá fora e contá-lo à minha maneira, recriá-lo segundo regras que nem sempre obedecem à realidade. Talvez isso também mostre um pouco do que se passa cá dentro, já que tudo  o que atiramos das nossas janelas também tem que vir cá de algum sítio.

Gosto de metáforas, gosto de janelas. 
Não gosto de alumínios, nem de marquises. 
No entanto, cresci numa casa com uma marquise de onze metros, janelas com toque metalizado. Curiosamente, sempre gostei de ver o que se passava lá fora.

E agora tenho de ir ali, estão a chamar-me noutra janela.

1 comentário:

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.