7.10.12

Lisboa fica sempre bem em corrida



Apesar de para muita gente isto ser sinónimo de perturbações mentais, sempre que posso gosto de me levantar ao domingo de manhã cedo e ir correr. Quando as voltas são maiores (20kms ou mais), ultimamente tenho delineado os percursos para que não passe duas vezes pelo mesmo sítio e possa ver o mais que possível de uma cidade que, apesar de conhecer muitas partes de cor e salteado, tem sempre um ou outro tesouro escondido.

Desta vez, ao fim de uns quilómetros, ainda não eram nove da manhã e estava já no topo da Avenida Marechal Gomes da Costa. Pouco ou nenhum trânsito, uma avenida cortada para o habitual mercado de rua e uma descida de quase 3kms para ajudar ao balanço, com a vista espectacular do rio ao fundo, com uns toques de brilho do sol, uma vez que a neblina já estava a levantar.

De seguida, na parte que liga a Expo Sul ao Terreiro do Paço, sempre do lado dos contentores, pode dizer-se que não há grande beleza visual à partida, mas há medida que nos aproximamos de Alfama, vemos as cúpulas dos monumentos à direita, quase sempre do lado esquerdo há um qualquer cruzeiro que está a chegar e quando dás por isso estás todo suado à porta do Lux, mas não seguiste o trajecto de muitos clientes da casa para chegar a esse estado.

Terreiro do Paço, com o Cais das Colunas a sorrir para o Tejo e da neblina com que começou o dia já não há sinal. Dali até Santos é um pulinho e depois a novidade, subir a Infante Santo até à Estrela. Não chega a um quilómetro, mas ao passar pelo hospital da Estrela já dá vontade de saber o preço da estadia. O Jardim da Estrela faz-se em três passos e é bonito ver os reflexos dos camones a desviarem-se de “el trem suado” que arranca em direcção ao Rato e depois ao Marquês de Pombal. Novo round com camones, rapidíssimos a atirarem-se para dentro de autocarros de tour pela cidade.

Última súbida até ao Saldanha e prometo não chorar, porque 20kms é menos de metade da maratona e lá chegado, a Avenida da República já está quentinha e eu sinto-me capaz de beber dois garrafões de cinco litros de água no fim, junto ao Jardim do Campo Grande.

Agora, só de olhar para o descritivo parece muito, mas daqui a pouco mais de quinze dias vou ter direito ao dobro, na Maratona do Porto, num percurso que desconheço quase a 100%. E aí, jovens conhecedores da urbe portuense, se me quiserem dizer para onde olhar (tirando o clássico “para a frente, senão cais”), eu agradeço e nem vos obrigo a bater palmas à minha passagem.

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