4.10.12

Falem-me de publicidade


As pessoas dizem muitas vezes que não gostam de anúncios, especialmente quando estão sentadas no sofá de sua casa e eles passam lá ao fundo na televisão. Depois, ao volante do seu computador, maravilham-se a ver anúncios de todas as partes do mundo, coisas giríssimas que não hesitam em partilhar, em enviar por mail aos amigos e a dizer “Isto sim, é publicidade que vale a pena, cá a maior parte do que passa na televisão é medonho”.

E é, em parte, verdade porque há muito lixo nos intervalos nacionais (e ironicamente, às vezes é lixo a passar no intervalo de lixo). No entanto, o que vemos na Internet também é uma pequena amostra do total de anúncios, por exemplo, americanos que na maior parte dos casos também é chata, sensaborona e comercialóide. Temos sorte de ver filtrado aquilo que de melhor se faz.

Feita a ressalva, passemos a outro aspecto – imaginem que amigos vossos vos enviavam por email, daqui a dois anos, videos da actualidade portuguesa dos dias de hoje. O mais provável é que dissessem “Epá, isto já eu vi há séculos, porque é que me estão sempre a enviar coisas que toda a gente cá já viu?”.
A quem trabalha na área da publicidade isto é o que acontece diariamente no email e nas redes sociais, em que títulos como “Publicidade GENIAL”, “Anúncio ESPECTACULAR”, “Isto sim é publicidade” ou “Anúncio que está a dar que falar nos EUA/JAPÃO/ESPANHA/BRASIL” normalmente resultam em coisas com dois e três anos e que já deram mais voltas à pista do que o António Sala a vender ouro.

Finalmente, deixo-vos com uma espécie de anúncio que vi esta semana, para não dizerem que se fartam de vir cá e eu não ofereço nada. Em troca, em estilo de sondagem, digam-me lá que anúncio que viram nos últimos tempos é que vos fez bater palminhas ou vos revoltou o estômago. Sem preconceitos, mas não me venham com a Cacharel, que para esse peditório já dei.



12 comentários:

  1. Para mim (e até já pensei várias vezes em escrever isso mas ainda não escrevi), o anúncio mais irritante dos últimos tempos, a par do Sala, é o da Cofidis, com a fulana a dizer que vai comprar um home cinema, e que a cofidis lhe emprestou dinheiro para isso.
    Ora... Amigos... é precisamente por essas atitudes que estamos nesta crise. Créditos para home cinemas, para férias em Cancun, para mobílias, and so on.

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    1. Inclusive há gente que pede créditos para pagar créditos, num distorcido universo em que produtos como "crédito consolidade" fazem sentido...

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  2. ESte está muito bom. Os mais simples ainda conseguem ter a sua piada, como aquele do queijo Nolan:
    http://www.youtube.com/watch?v=Jj72f21Un6M

    O melhor de que me lembro nos últimos tempos foi este:
    http://www.youtube.com/watch?v=316AzLYfAzw

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    1. O do rato é um clássico, a música é metade da festa.

      O da acção também é muito bom, cheira ligeiramente a fake ou one shot, mas muito bem produzido e documentado, já que depois é o filme da acção que ajuda a fazer a festa.

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  3. Este está muito bom... mas quanto dinheiro é que estes gajos, que querem apoios para salvar a floresta tropical, gastaram para o fazer? E quanto custa pôr no ar um anúncio de 3 minutos.
    É nestas merdas que as ONGs me tiram do sério.

    Revoltar o estômago: intermarché a oferecer soluções para a crise. Jantar na varanda, cinema na sala...

    Bater palminhas: Volkswagen com o mini Darth Vader

    http://gadoamarrado.blogspot.pt/

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    1. A questão aí às vezes nem é tanto o que parece. Por norma as ONGs não têm um tusto para publicidade, são as agências/produtoras, etc que os procuram já que são também o tipo de clientes que permite fazer o trabalho mais criativo.

      Os custos por norma ficam associados aos parceiros e não à ONG que, quanto muito, passa um recibo de mecenato para os senhores deduzirem no imposto.

      Além disso, já reparaste no número de marcas que aparecem no fim, como amigas da floresta? Não estranho se tiverem contribuído para a causa...

      Quanto a soluções para a crise vistas pela publicidade, se é para fazer humor, tem que ser muito bem feito...

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    2. Tens razão, esqueci-me desse buraco fiscal do mecenato e dos patrocínios das marcas para estas.

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  4. Os anúncios quando são entretenimento são uma coisa, quando são o intervalo do entretenimento são outra, mais odiosa.

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    1. Daí que hoje em dia, as marcas que realmente inovam se começam a voltar para o muito em voga conceito de "branded entertainment". O resto é aquilo que acham que têm de fazer para a maralha, a coisa básica que nunca sai do registo mais do mesmo...

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  5. Eu achava giro um da Vodafone que tinha uma libelinha. Não sei se pela música, se pela mensagem, se pelo conjunto. Os que não gosto não me lembro mas há um que me faz rir porque a minha sogra odeia. É o do Gino-canesten. Vira-se para a televisão e chama-lhe "porca, ainda por cima só se lembra de aparecer na hora das refeições". :)

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  6. Eu adoro o anuncio dos hambúrgueres do Mac que passa no cinema e que tem uns bonecos peludos que no início são cinzentos, mas que depois começam a ficar coloridos. Mas pronto, eu sou como as crianças pequenas, fico colada a tudo o que tenha cor. Andei à procura no tube, mas parece que ninguém o meteu lá. :-(

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  7. Ainda aqui posso vir dizer que adoro os anúncios da Sumol, nas suas várias versões? E que levei um valente soco no estômago com um anúncio da Crioestaminal, tão rasteiro??
    Pronto, era só isso... agora tenho vontade de comentar tudo!!

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