26.10.12

Dramas sobre fal(h)ar em público


Não sou nenhum orador de excelência e, verdade seja dita, sempre fui mais eficaz a expressar-me pela via da escrita. No entanto, a veia de pseudo-comediante que tenho dentro de mim sempre retirou à tarefa “falar em público” a seriedade e a carga assustadora que afecta muita gente na hora de fazer uma apresentação ou expor algumas ideias perante uma plateia/ ou grupo com várias pessoas.

O nervosismo costuma aparecer, nisso não há milagres, mas para mim ele surge nos cinco minutos antes e não durante o acto em si. Nesse momentos, o picuinhas que há em mim faz-me sempre pensar que pode ter falhado algo, que posso não ter previsto o imprevisto, mas o comediante tranquiliza-me na hora de avançar – Não vais ser fuzilado se algo correr mal, pelo menos com balas a sério.

Será conveniente esclarecer que, por veia de comediante, não quero dizer que leve sapatos rosa nº48 quando calço o 44 ou que use um fantoche numa mão para falar por mim. Tenho apenas a sorte de, por norma, o meu instinto mais light ajudar a tirar a pressão de falhar e levar as coisas a bom porto.

No entanto, é preciso saber dosear o humor e a capacidade que podemos (ou não) ter para lidar com ele. É um bocadinho como a patinagem artística, por melhor que possamos ser basta um movimento em falso para malharmos com os dentes no gelo ou, pior ainda, rasgar o fato de lycra. Aliás, foi mesmo por essa razão que deixei fazer apresentações em fato de lycra.

Cada pessoa terá a sua solução para combater os seus medos ou ganhar força na altura de falar em público. Nunca me esqueço daquele conselho mítico que diz que “imaginar a audiência nua é uma forma eficaz de reduzir o stress e a ansiedade nesses momentos”.
Para mim isso funcionou, até chegar o dia em que fui convidado a falar num seminário de Verão numa colónia de nudistas idosos.

2 comentários:

  1. Sim, funciona até esse tipo de seminários de Verão, ou até a plateia estar repleta de mulheres bonitas e haver algo em ti que se vai expressar de uma forma mais visível...

    ResponderEliminar
  2. Sou exactamente igual, mas não tenho o dom da comédia - infelizmente. Desde o momento em que começo a falar até ao momento em que me sento, sinto uma dormência cerebral e uma sensação de alienação total inexplicável. Mas a coisa lá acaba por correr mais ou menos, mais gaffe menos gaffe. ;)

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.