23.10.12

Desconta no caixa



Tenho em mim a ideia que as pessoas que abusam sem justificação da malta que trabalha na caixa de supermercados e afins e neles despejam as frustrações e a falta de educação que os leva a pensar que trabalhar numa caixa é algo inferior ou desdenhável deviam ser afiambrados à moda antiga.

Se já não gosto de abusos de poder, intimidações e joguinhos do género em qualquer cenário profissional (e não só), quando se tratam de situações na fronteira da humilhação pública a minha vontade era tomar o lugar do caixa nesse instante e dar o troco que essa gente merece. Em forma de dois dedos espetados nos olhos e o desprendimento que, infelizmente, muitas vezes quem está ali a trabalhar não pode ter.

Deve ser por isso que os deuses não encaminharam para um tipo de funções em que, por norma, lido directamente com clientes. Nesse aspecto, mais do que uma virtude, a paciência é o caminho para a santidade.

15 comentários:

  1. Aqui onde estou por vezes pedem para falar com a minha colega, é mais meiguinha a falar. As pessoas não gostam de ouvir as verdades nem que lhes respondam no mesmo tom que falam. Pufff...

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    1. O problema, em certos casos, mais do que o tom é o conteúdo...

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  2. Quando estudava, trabalhei em lojas de roupa e caixas de supermercado, e aprendi muito, principalmente que a educação não tem a ver com dinheiro, nem com posição social. Via-se de tudo, inclusivé tive o prazer de privar com um casal em que ela era médica e ele professor que eram do mais mal-educado que podia haver. E foi exactamente como descreves, humilhação pública, só pelo julgar de quem está ali a atender é menos do que eles. Ainda hoje quando penso nisso, fico com uma raiva, se a apanhasse enchia-lhe a cara de tabefes. É óbvio que hoje em dia reagia de outra maneira, mas o problema é que as pessoas muitas vezes não podem ripostar porque o dinheiro por vezes miserável que ganham nesses empregos faz-lhes muita falta. Alonguei-me, mas este é um assunto que me faz bastante impressão porque é algo que se vê recorrentemente, pessoas que vão para os supermercados e lojas de roupa etc, despejar as suas frustações. Uns tristes.

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    1. O abuso nasce daí, de uma posição fragilizada face a alguém que, mesmo que momentaneamente, exerce sobre ela uma posição de poder...

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  3. As pessoas são cada vez mais mal educadas, além de uns extraordinários cobardes. Só fazem isso porque sabem que a desgraçada da vítima tem que sorrir e responder calmamente. A ver se fazem o mesmo quando vão à praça...não fazem que têm medo de levar uns tabefes.

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    1. Esse exemplo da praça é bom, porque eu que vou ao mercado semanalmente ainda outro dia ouvi de uma peixeira cinco estrelas:

      "Não preciso que toda a gente me compre alguma coisa, mas às vezes é triste ver que nem um sorriso têm para nos dar. E quando assim é, eu digo-lhes isso mesmo..."

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    2. Isso é muito bonito por parte dessa senhora. è muito bom dar-mos um sorriso e recebermos um de volta

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  4. E os clientes burros e mal-educados que se escondem atrás do telefone para tratar mal os assistentes de apoio a clientes?
    Sei do que falo, infelizmente, e digo-te que a boa educação está em vias de extinção. E não, não se pode responder senão o funcionário ainda sai penalizado e o cliente leva um desconto em factura para minimizar a insatisfação (lol), é ouvir e calar, se a linguagem descambar muito tem-se autorização para pedir a um superior que desligue a chamada...
    No meu último dia de trabalho prometo tratar muito mal meia dúzia de postais!

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    1. O telefone e tudo o que é meio que implica distância (dando cobertura à falta de cabedal para fazer as coisas ao vivo), por norma amplifica esse tipo de situações manhosas...

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    2. Um dia posso sempre ameaçar: "olhe que eu sei onde o senhor mora, e os seus contactos, e o NIF, e o BI, e o NIB..." muahahah

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  5. Muito interessante sua reflexão. A paciência é uma arte, infelizmente cultivada por poucos.

    Seguindo teu blog!

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  6. Não me lembro de ter sido nunca mal-educada com alguém em contexto de trabalho, meu ou deles.
    É uma questão de respeito básico.

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    1. A mim afastam-me do contacto com o público em geral. Não sou mal educado, mas o sarcasmo é ligeiramente afiado...

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  7. Por estas e por outras (sim, também por outras) é que fui despedida do Pingo Doce. Claro que tinha 20 anos, não tinha responsabilidades, e podia responder à letra e não "levar desaforo para casa". Não me arrependo.

    Grinch

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