17.10.12

airòmeM


Não volto para trás.
Não ando para a frente.
Se pudesse começar de novo,
Não sei o que faria outra vez.
Distante,
aproximo-me do nada,
onde não mora ninguém.
Bato à porta,
Sou eu quem vem abrir,
Não me reconheço,
deve ser engano.
Vêm de longe para ficar perto,
Sorriem-me, deverei sorrir?
As caras dizem-me algo,
As palavras não compreendo.
Falam-me de outros tempos,
Como se eu tivesse tempo para isso,
Lembro-me deles,
mas não como eles se lembram de mim.
Faltam-me peças,
E eu sou o puzzle.
Desapareço um pouco todos os dias,
Até ficar vazio, sem pinga de mim
Deixei de ser quem era,
Sou o que resta.

6 comentários:

  1. Não sei se dizer lindo, o poema, esclareça-se, será o suficiente, mas é a palavra que me ocorre. Lindo.

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  2. Identifico-me com as palavras, com o estado e com o sentimento. Escrever mais ia diminuar o que as tuas palavras transmitem.

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  3. Agradeço as vossas palavras e respeito todas as interpretações, aliás encorajo-as.

    Mais do que introspectivo, diria que isto é o receio de uma projecção futura. E fiquemos por aqui, que me aborrecem os significados :)

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  4. Mas procuras-os(aos significados) dentro de ti :)

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  5. Bem, agora sinto-me uma pacóvia.

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  6. Nada disso, estão à vontade. Quando digo que me aborrecem os significados é que as coisas podem existir só porque sim :)

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Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.