13.10.12

A paciência em vias de extinção



Para além de toda a convulsão social que ganhámos de bónus nos últimos tempos, há valores em mudança que vão para além disso. Sem me armar em filósofo de trazer por casa, sinto que quer na geração na casa dos vinte/trinta, quer em miúdos mais novos, a paciência não é vista como uma virtude.

Vivemos no tempo do imediato, a diversidade de acesso que temos a tanta coisa (real e virtual), se por um lado nos abriu os horizontes por outro cria ansiedades e a vontade de chegar a tudo mais depressa, pelo caminho mais fácil.

Numa perspectiva retorcida, porventura estes tempos de crise vão ajudar a ensinar a alguns putos que nem tudo cai do céu e que o lado mais negro da paciência começa pelos sacrifícios a que muitos se vão tendo que sujeitar.

Pregar a facilidade, que o caminho até ao sucesso é sempre uma auto-estrada e que esperar não vale a pena produz, a meu ver, visões distorcidas da realidade e pouca capacidade de encaixe perante a adversidade.

Ser paciente está longe de ser um sinónimo de ser pamonha, conformado, amochado e por aí em diante, numa longa lista de nomes bonitos. As pessoas pacientes também se revoltam, dão murros na mesa e fazem valer os seus direitos e são bem sucedidas. Tudo a seu tempo.

E, no entanto, pessoas pacientes não jogam necessariamente paciências, até porque as paciências só têm esse nome para testar a indignação das pessoas menos pacientes entre as pacientes. E olhem que pode ser muita.

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