25.10.12

A gordura do sucesso televisivo


Há algum tempo atrás surgiram os primeiros programas/reality shows focados na obesidade. Apesar da exploração emocional que existe sempre neste tipo de programas, devo dizer que não me chocaram os formatos dos Biggest Loser’s americanos que foram passando por cá. Para além da perda de peso, pelo que me foi dado perceber, havia uma componente psicológica que não era deixada ao desbarato, já que aquele grau de obesidade normalmente tem cicatrizes comportamentais e traumas psicológicos associados.

Acredito até que, para quem viu aquilo cá, em certos casos tenha funcionado como motivador para começar a fazer algo por si.

O problema é quando começamos a adaptar (mal) formatos e a dar dimensões às coisas que elas não precisavam, nem deviam ter.

Já aqui falei mas, do pouco que vi, a versão portuguesa do Biggest Loser era fraquinha e, tal como acontece em muitos casos, feita a pensar na espremidela emocional até à última casa. É esse o tom que as nossas televisões querem dar às audiência e é assim que conduzem a mão de obra de apresentadoras que têm associadas. Os treinadores não eram do pior, embora a anos luz da fluidez de discurso, input motivacional e à vontade de comunicação que os americanos conseguem ter (é um mal geral em muita gente que tem de comunicar com o público por cá, vide políticos). Nem vou comentar aquele personagem intitulado “Comando”, porque a mim só o associava a premir um botão do dito cujo e mudar de canal.

Nem vou comparar meios, porque aí é a realidade americana vs. Portugal e isso não é base de comparação justa.

Agora, pelo que vejo, temos pessoal obeso a dançar para perder peso. Mesmo que isto seja uma ilustração básica do que é o programa, a coisa já está a caminhar para patamares de insanidade televisiva, explorando a temática “gordos a fazer qualquer coisa”. Para além disso, ainda temos que levar outra vez com apresentadoras formatadas em versão exploração emocional (ou laxante televisivo) e em que cada vez mais interessa é que a coisa seja circense ou tipo variedades. O benefício é cada vez mais apenas um engodo para público e participantes...

Pelo ritmo da carruagem, pouco falta para chegarmos ao programa “Obesos a correr para ficarem em forma no caso de se dar um apocalipse zombie. Serve para cross promotion com lançamentos de série, para haver muita animação e movimento e, se é de zombies que falamos, é o mood certo para termos apresentadoras afectadas a dizer “E então gorduchinha, se a sua família ficasse toda zombie, isso ia motivá-la para ficar mais forte e perder peso?” ou “Gordalhufinho, vi que hoje cortou três cabeças de zombie, ainda que falsas, só para impressionar aquela anafada adorável de Valadares. Está a aparecer um clima ou é só um workout extra?”.

2 comentários:

  1. Lembrei-me agora que não há zombies obesos. Isso é que era! Ai que estou a imaginar coisas muito pouco próprias. Vou-me já embora.

    ResponderEliminar
  2. Oh Mak, as analogias de que te lembras. E fazendo jus à observação do Ruben Patrick levas um: "o que eu já me ri com isto...ahahahaha".

    Lufada de ar fresco ler-te.
    (quanto aos gordos a fazerem cenas, não comento que é só triste estes formatos portugueses)

    Tem um bom dia

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.