15.10.12

A formalidade enlatada



Boa parte dos emails que envio para o superior responsável pela aprovação ou não de grande parte do meu trabalho começam com  cabeçalhos de cortesia nesta onda:

“Grande Timoneiro”
“Master Ninja do Business”
“Grão Mestre da Ordem dos Apóstolos Criativos”

O que é que isto prova, para além de elevados índices de verborreia? Bem, o facto de ainda ter trabalho prova que a formalidade não é assim muito valorizada por estas bandas. Porventura liga-se mais ao conteúdo do email e menos ao salamaleque do cabeçalho.

Obviamente, tenho a plena noção que isso faz sentido dentro do meu ambiente de trabalho e noutros dá direito a uns açoites a nível de recursos humanos e corte da sobremesa na cantinha. Ainda assim, tive a experiência de como o cruzamento entre instituições com níveis de formalidade diferente pode dar situações bonitas.

Depois de ter sido convidado (por gente que gosta de arriscar) a ir falar um pouco sobre as perspectivas de futuro na minha área, os primeiro emails que recebi da pessoa que ficou de tratar dos detalhes organizativos vinham sempre carregados de um “Doutor” isto e aquilo. Fui sempre rebatendo e dispensando a formalidade, sem sucesso. Até que num dos emails fiz o pedido o mais frontalmente possível, explicando que percebia que era natural que muitos insistissem para ser tratados dessa forma, mas que eu insistia exactamente na direcção contrária.

O email seguinte de resposta começava com:

“Caro Sr. Professor”

Cerrei os dentes, a batalha contra a formalidade continua a ser difícil.

3 comentários:

  1. E se lhe disser mais alguma coisa,para a próxima vai ser Sr. Engenheiro.

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  2. Tens que continuar a tentar.
    Pode ser que tenhas sucesso e o proximo e-mail venha dirigido ao "Exmo Sr Professor Doutor Mau"
    Boa sorte

    Joana

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  3. Por estas bandas a formalidade é muito importante por necessidade de aumentar o ego e fazer-se valer de algo importante. É o que observo. Mas, também digo que se esse é o único senão, por mim tudo bem:)

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