18.10.12

A exaltação do óbvio pelo pacóvio

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Sou um tipo que se diverte com cenas estúpidas. Por exemplo, ontem estive a ver o primeiro episódio da terceira temporada do Walking Dead e, perto do fim, achei muita piada à parte em que, apesar de ser meio arrepiante, o coiso pega numa cena e tem que fazer não sei que mais ao outro bacano (como sou um tipo porreiro, substituí o que efectivamente se passou por este vago descritivo, para não me chamarem desmancha-prazeres).

Outra coisa que me diverte é a exaltação do óbvio que certas pessoas fazem como se fosse uma revelação divina. Não tem nada a ver com a pequena experiência que ontem se verificou no blog deste jovem artista que, apesar de divertida e ter como base a adulteração de uma situação comum, recheando-a de narrativa pseudo-poética conferindo-lhe assim um certo romantismo, está longe de ser o que considero a exaltação do óbvio pelo pacóvio.

Este tipo de situações é comum nas escolas e faculdades, em que é comum ver alunos, procurando destacar-se ou, no limite, obter alguma atenção intervir em aulas, trabalhos e afins em situações em que depois do professor dizer algo como “O céu é azul”, alguém levanta a questão “Professor, podemos então dizer que, em termos de coloração, o céu se enquadra no campo do azul”.

É fácil, é barato, é estupidez  que até dói.  E também não é complicado distinguir quem faz isso por distracção e quem é um expert nesse tipo de questões, basta observar a frequência das mesmas.

No entanto, divertido a sério é ver quando adultos, em ambientes de trabalho, seguem a mesma doutrina. Seja validando com perguntas retóricas o que as chefias acabaram de dizer, seja lendo emails que toda a gente recebe, mas anunciando-os em voz alta ou em tom secreto de confidência “Olha...o presidente vai querer falar com todos à tarde) como se tivesse acesso a informação privilegiada.

E é por isso que eu dou por mim a rir-me quando vejo o coiso pegar numa cena e tem que fazer não sei que mais ao outro bacano, porque é exactamente isso que me apetece fazer às pessoas que acabei de descrever. E depois, com serena calma, perguntar-lhes “Olha, é seguro dizer que, face à tua expressão de sofrimento, que estás a passar por uma dor atroz?”

9 comentários:

  1. E quando quem faz essas perguntas não é o aluno e sim o professor? (ou... sei lá... por questões meramente hipotéticas.... o chefe?!?)

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    1. Isso é o divertimento supremo, especialmente quando nessa hipotética situação ele pode, digamos assim, dizer exactamente o mesmo por outras palavras e apresentar uma ideia ou um projecto como sendo seus...

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  2. Oh pá, tive hoje uma reunião com o rei dessa merda lá na empresa. Pqp o gajo. O mais extraordinário é a cara dele no final das intervenções, convencido que disse algo interessante.
    Um Whisky por favor!

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    1. Por norma, quanto mais básico, mais convicto...

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  3. Os pacóvios são sempre óbvios!
    E pacóvia obviamente me sinto eu, porque nunca aqui ter vindo...

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  4. ... por nunca aqui ter vindo, digo!

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    1. Eu também já podia ter arranjado o letreiro, que assim se via melhor a entrada ;)

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  5. É, então, seguro dizer que lhes querias bater?
    (Olá :))

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    1. Olá e acrescente-se que bater é a versão light da coisa.

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