16.10.12

A esquizofrenia do guarda-roupa


Sempre tive uma relação saudável com a roupa – eu pago e ela deixa-me usá-la, desde que eu lhe assegure condições mínimas de higiene, aparência e, aqui e ali, um toque de amaciador. A coisa tem resultado e tirando um ou outro caso em que abusei dela para além dos limites da decência, não temos razões de queixa um do outro.

Respeito as estações que lhe são adequadas e tento que, quando saímos juntos, nenhum tenha vergonha do outro. É por isso que, quando chega a meia estação, me divirto imenso com a esquizofrenia alheia que observo noutros guarda-roupas.

Ainda hoje, num mesmo grupo, vi um tipo de calções e t-shirt e outro com um blusão grosso e gorro e não me pareceu que este último estivesse a preparar um assalto e que o primeiro estivesse inscrito numa prova de atletismo.

No público feminino, nem se fala, creio que o termo técnico é “baixaram dois graus e eu tenho roupa de outono/inverno que quer sair do armário à bruta”. A partir daí, o regabofe e o contraste visual é assaz divertido.

Ainda assim, a maior parte da população está longe de chegar a este patamar de demência, que me leva a pensar que ainda há muito espaço livre no fundo do mar, onde cabia muita gente bem fechadinha dentro de contentores hermeticamente selados.

8 comentários:

  1. ontem no metro, à minha frente, uma loira de calçoes de ganga e blusa de alças e ao lado uma morena de saia com collants opacos, botas e casaco de fazenda :-) tb me diverte... E pergunto-me se o pessoal não terá meio termo ou se nunca ouviu falar na técnica da cebola, que é vestir por camadas...

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  2. Espera pelas galochas do Jumbo a 11€ em todas as cores (vómito) e quando nem está a chover...

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  3. Adoro a camisola com as sandálias, o vestido de verão (já nem me apetece falar nos calções curtos e nas alças)com botas e meias de lã. Um mimo!
    Mas eu pergunto-me: o que é isso tudo comparado com uma cabeça de pombo a ornamentar um dedo?
    Se ele for dar uma voltinha ali pela IP1 pode ser que arranje qualquer coisa que lhe sirva para fazer um chapéu...

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  4. Os homens eram todos algo afectados e efeminados, quem sabe gays, não sei se isso terá alguma implicação na excentricidade dos acessórios mas temo bem que sim.

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  5. Ahaha eu ri-me tanto com este post!
    Adoro!
    E o vídeo? Delirante!
    Eu ainda hoje vi aqui no norte uma fulana de sandálias. Está a chover a calhaus.

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  6. :)

    Gostei!

    vou subscreveer o feed porque dizes ali ao lado que faz bem à saude. :P

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  7. Pois eu cá já acho que, pese embora esses fossem todos patéticos e demasiado evidentes, a criatividade é sempre genial; e acho também que uns andarem de casado de lã e outros de manga curta é um sinal de diversidade e pluralidade... Mas sim haja decência nos modelitos!

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  8. Acredites ou não estavam todos ao meu lado na Moda Lisboa...

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