3.9.12

Tipos em casamentos: o gajo que tortura o senhor do registo


Passei os últimos três dias num casamento e desde já aviso que não se tratou de um evento gitano. Sinceramente, concentrando apenas no essencial, não podia ter ficado mais contente por ver duas pessoas que muito prezo num momento que, por toda a envolvência, não podia ter sido mais original e memorável.

Mas, como toda a gente sabe, para além dos vários tipos de casamento que existem, existem também vários tipos entre os tipos que vão a casamentos. Por exemplo, já houve o tipo que tentou a engatar a mãe da noiva, o tipo que caiu em cima do bolo, o tipo que, não contente em dançar com a gravata na cabeça, resolveu fazer uma bomba na piscina ou até mesmo o tipo que abriu a pista de dança abraçado a uma cabeça de leitão. Com maior ou menos frequência em casamentos, certamente que entre a malta jovem que por aqui passa consegue adicionar um “tipo” mítico que já viu a brilhar em casamentos.

Coube-me a mim inaugurar uma categoria no passado sábado. A pedido do noivo, dado que a cerimónia do registo teve lugar num coreto, a minha tarefa era fácil: chegar à pequena mesa de som colocada ao fundo do mesmo e levantar o som dos microfones do senhor do registo e dos noivos. Sendo eu um tipo no mínimo habilitado a tarefas tão exigentes como rodar um botão, fiquei descansado e, chegada a altura, lá estava eu pronto a entrar em acção.

O senhor do registo senta-se, abre o seu caderninho e eu, sem vacilar rodo os devidos botões. O problema é que o senhor falava para dentro e, mesmo com o som no limite, boa parte da malta só ouvia um sussurro. Meio de gatas, aproximo-me da mesa num ângulo em que a maior parte dos convidados não me via. Com a suavidade possível, tento aproximar o microfone pegando na base da estrutura e colocá-lo mais perto do senhor. Este, pouco colaborativamente, ao ver o microfone a ir na direcção recua a cadeira, deixando tudo na mesma, volto a fazer o mesmo e ele volta a recuar, não percebendo bem o que se passava porque ele também não me via. Isto repete-se mais duas ou três vezes, sempre com a cerimónia a decorrer, até ao ponto em que ele não pode recuar mais e eu não posso avançar mais sob o risco de lhe dar com o micro nos dentes. A parte do pessoal que está a ver, está quase tão ansiosa pelo desfecho da situação, como por ouvir o “Sim”.

Finalmente, estico a cabeça e o homem baixa o olhar e faço-lhe sinal que ou fala mais alto ou come um micro, o que ele finalmente compreende.

E assim nasce, entre os tipos que vão a casamentos, o tipo de tipo que tortura o senhor do registo com um microfone.

4 comentários:

  1. O que eu não pagava para assistir a uma cena dessas xD ahahahah muito muito muito bom! Só eu é que vou a casamentos que são uma seca.

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  2. Tens noção, caríssimo Mak, que tal relato podia ser considerado profundamente homo-erótico, não tens? ;)

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    1. Creio que é um aviso standard, como em qualquer relato de situação em que se abuse das palavras "microfone" ou "chamada".

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  3. Oh, fiquei um pouco desiludida, estava à espera de uma pornochanchada.

    (e o Yuri? fiquei fã do Yuri)

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