10.9.12

Nem todos os becos são maus


Certas palavras pegam-se a um sentido tal como a pastilha elástica se pega à sola dos sapatos e, por mais que tentemos, é muito difícil descolá-las daí. “Beco” é uma delas, sempre com a conotação de viela escura, mal iluminada e muitas vezes sem saída.

Em Lisboa, também é comum associarmos os becos aos bairros mais típicos e, obviamente aos Santos Populares. Mas, tirando nessa época de exaltação à sardinha, ao álcool e à música de cariz duvidoso, pouca gente entraria com a mesma confiança nesses becos.

No entanto, apesar de não ter crescido nesses bairros, também fui puto num bairro igualmente tradicional, em que as personagens são mais que muitas e há sempre histórias para todos os gostos. Talvez por isso, desde há muito andasse para ler este livro de contos do Mário de Carvalho, do qual sempre conheci excertos mas nunca tinha lido por completo.

Bastou-me uma tarde para o fazer, deliciado com as pequenas histórias e as nuances dos personagens, alguns deles conhecidos em carne e osso por mim com outro nome. Não é um épico, são momentos simples plenos de imaginação e humor, despido do pretensiosismo que Às vezes me afasta de uma ou outra literatura.

A última história remata este beco com chave de ouro. E, pelo menos no meu caso, saí de lá bem impressionado.


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