20.9.12

Mestrados são para meninos




Mentes mais precavidas não esperam pelo fim da sua licenciatura para começarem a complementar a sua formação e, dando ouvidos ao que aquela malta grega dizia quando ainda não se dedicava apenas a acumular dívidas, o importante é não esquecer “mente sã em corpo são ou o melhor que te conseguires safar”.

Vai daí, desde a primeira semana em que entrei na universidade, decidi que as aulas não eram tudo o que fazia falta para um tipo acumular competências e havia que procurar entre os equipamentos disponíveis quais os mais compatíveis com os meus skills. Numa primeira fase foram escolhidos os matraquilhos, com desdobramentos posteriores em ping-pong e programa de rádio interno.

Houve no entanto um certo conflito de interesses, já que os horários disponíveis para esta vertente complementar se viam muitas vezes fustigados pela inconveniência de aulas que insistiam em sobrepôr-se, utilizando certamente cunhas oficiais. Foi possível chegar a acordo com a minha consciência, através de um plano que incluiu a troca de uma cadeira por ano para trabalhar a fundo na minha especialização alternativa. No caso do programa de rádio, este incluiu uma negociação especial já que na grelha o programa entrava em conflito com umas cadeiras de Inglês nos dois primeiros anos que, sendo muito básicas, dispensei a frequência a troco de passar alguma música anglo-saxónica e dizer baboseiras via microfone no idioma de Shakespeare.

Anos mais tarde, posso dizer que a coisa resultou. Tendo apenas como contrapartida um ou outro exame em época especial, consegui não ter de repetir nenhum ano, acabar o curso dentro do prazo esperado, conseguir polivalência em matraquilhos já que consigo exibir alguma destreza tanto jogando atrás como à frente, ostento um jogo de esquerda no ping-pong que não sendo mau, teria necessitado de maior assiduidade e dedicação para ter um nível de distinção decente e descobri rapidamente que sou bom na palhaçada radiofónica, mas fraco animador de voz profunda.

Acima de tudo, para além das aulas e de tudo o mais, conheci pessoas e estabeleci amizades que de outra forma nunca teriam acontecido. E ainda hoje me correspondo com alguns amigos sem braços e equipamentos desportivos que, ao contrário de mim, não conseguiram fazer carreira e continuam a viver e a trabalhar todos juntos em mesas de matraquilhos perdidas em cafés, associações e universidades deste país. Um abraço para todos eles e isto não é uma piada irónica.


PS – Na passada sexta feira matei saudades, jogando para aí três horas de matraquilhos. Alguns dos bonecos que revi já estão carecas mas, felizmente, a maior parte deles não engordou.

3 comentários:

  1. Opa gostei deste post e dos bonecos, ahah. Muito bom =P

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  2. No meu curso, a cadeira com créditos extra era a de "Sueca".

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  3. Que post maravilhoso que me fez recordar os tempos de licenciatura. Eu também frequentei cadeiras ao nível do king e do poker e até um coro, mas depois ganhei juízo (e cagufa) e acabei o curso, tendo demorado mais um ano do que a duração normal.
    Mas não me arrependo em nada!

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