25.9.12

E foi assim que entrei na discoteca



O facto de ter chegado ao 1,80m antes de chegar aos 16 anos facilitou-me a vida em certas coisas. Nunca me pediam o BI ao entrar em salões de jogos (antro em quase extinção nos dias que correm), quando fui ver os primeiros concertos conseguia ver o palco em vez de ver um conjunto de guedelhas e fazia parte de qualquer grupo que, ao sair à noite, quisesse dar um salto a uma discoteca e precisasse de um colectivo escolhido a dedo.

Nesses pequenos grupos havia sempre o gajo/a que conhecia alguém no sítio onde se ia e que garantia “Não há problema nenhum, ele mete-nos lá dentro na boa” (tirando nas vezes em que não metia e em que surgia sempre o “Ele nunca me tinha feito isto”). Também tinham que lá estar miúdas, porque grupos só de gajos, ainda por cima putos, que não iam certamente encher o cartão de consumo eram sinónimo de barranço à porta ou horas na porta à espera de um acto de bondade do porteiro. E finalmente, gente alta, uma parte importante da ideia que se queria passar de, “Miúdos? Naaa, nós não somos miúdos, somos matulões com ar jovem”.

No meu disco rígido a que chamo memória tenho guardada trampa que não interessa ao menino Jesus, desses e de outros tempos. No entanto, na incapacidade de a limpar, aproveito coisas como a memória da primeira expedição num desses grupos, que se tornou na primeira vez que fui a uma discoteca sem gente mais velha no grupo.

Uma miúda fazia anos, fomos a uma esplanada em Belém e se não era Verão, andava lá perto. O grupo tinha seis artistas, 50-50 na proporção de sexos, curiosamente sem casais à partida. Tudo colegas da escola e conhecidos que, depois de alguma discussão sobre o próximo local, decidiu que estava na hora de ir para a discoteca... às onze e picos da noite.

Depois de um aceso debate, venceu a zona de Alcântara (conveniente também por ser mais perto para o táxi no regresso) e o à altura Rockline, destino favorito para quem não queria singrar no mundo da música de dança e sonhava em ouvir Rage Against The Machine em discotecas.
Antes da meia noite, a fila era cerca de zero e creio que se não acordámos o porteiro, que obviamente alguém do grupo jurava conhecer, andámos lá perto. O tipo olhou para nós, começando por mim e perguntou se toda a gente tinha idade e eu, que já na altura era um parvo em potencial, mordi o lábio para não dizer “Epá todos juntos temos idade para ser teu pai” e acenei com a cabeça.

Milagre dos milagres, sem mais perguntas abriu-nos a porta, com a benesse de cartões sem consumo para as miúdas e consumo mínimo para os “homens”. Sou gajo para ter bebido um shot logo a abrir para comemorar, mas não me recordo se foi da porcaria intragável que na altura até parecia sexy sob o nome GoldStrike. Esperávamos encontrar toda uma aura de disco, com gente a dançar loucamente pelo meio do fumo e figuras estilosas junto ao bar, onde empregadas de bons atributos e barmen habilidosos faziam a festa.

Qual quê, por volta da meia noite aquilo só lá tinha dois ou três otários ao nosso nível, que vinham para a discoteca quase à hora da novela com medo de não entrarem depois. O bar estava vazio e a malta que lá trabalhava olhou para nós como se tivéssemos trazido todos bibe e tivéssemos entrado de mão dada.

No entanto, ainda hoje me lembro da música que dava quando entrámos e que era esta:



Ainda hoje gosto dela e, apesar de não me lembrar muito bem do que se passou no resto da noite, posso dizer que, feito maluco, sou capaz de ter chegado a casa já bem perto das duas da manhã.

7 comentários:

  1. Ahhh...que saudades do RockLine!!
    O mais certo era eu pertencer aos outros 2 ou 3 otários que lá estavam cedinho, isto porque salvo erro à 6f da meia noite ás duas da manhã era bar aberto à cerveja!!
    E depois pergunto-me como foi possível ter esta barriguinha!!!

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    1. Tinha ideia que o bar aberto era à 5ª feira, mas posso estar a confundir com algumas festas de estudante, essas sim às 5as de certeza.

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  2. Também gosto :)
    Eu também fui a uma discoteca pela primeira vez aos 16 anos, e quando fui, fui com quem já tinha ido e tornou-se exactamente naquilo que eu sempre imaginava que era: bolas de espelhos, muita bebida, gente a dançar em cima dos balcões dos bares e colunas, e música house da boa.

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    1. Para colunas e regabofe com música de dança já era preciso apanhar-me no mood certo para a coisa.

      Mas não é de meu timbre negar-me à festa.

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  3. Bem... o Rockline (na margem sul diziamos "a" Rockline) era a meca das saídas à noite entre a malta mais velha que eu invejava. A minha mãe nunca me deixou ir e quando tive idade para bater o pé, já andava tudo a querer ir para o Lux. Ficou-me atravessado porque só gosto de dançar guitarras com distorção e bateria a abrir. Agora já só há disso na minha sala.

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    1. Ah, esta é a parte para me tentar fazer sentir um ancião? Não resulta, eu entrei lá cedo e quando deixei de ser cliente habitual aquilo ainda só estava a começar a lutar contra o declínio e a nova concorrência.

      Hoje é um stand de automóveis, salvo erro.

      Mas, na margem sul, sem ser discoteca pelo menos existiam recintos como a Incrível Almadense ou o Ginásio Clube de Corroios.
      Não será o Lux, mas...

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  4. Nada disso. Era a parte em que acuso a minha mãe de ser tão conservadora e controladora que ainda hoje acha mal se eu não estiver em casa à meia-noite. E se achas que ela me deixava ir ao Incrível, onde a malta saltava dos varadins se estivesse para aí virada ou entornada q.b., também estás enganado. Safaram-se as matinées da Jukebox porque eram às 6 da tarde e só porque era possível disfarçar a coisa com trabalhos de grupo.

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