27.9.12

Da tolice da música de dança


É engraçada a reacção das pessoas quando me falam em música de dança e eu pergunto “E qual é a música que não é de dança?”. Hesitam, pensam que provavelmente sou parvo (não erram por muito) e tentam por vezes esclarecer-me com explícita terminologia anglófona “Epá, estou a falar de dance music”, ao que eu riposto “E qual é a don’t dance music?”.

A partir daí chegam rapidamente a uma conclusão – “Ele não é parvo, é um imbecil armado em esperto”.

Não discuto a veracidade da conclusão, debato apenas a terminologia. Música electrónica, só porque é nota dominante em sítios de diversão nocturna em que se dança, não deveria ser por si sinónimo de música de dança. Também já lhe ouvi chamar “martelos”, “untz-untz”, “música decarrinhos de choque” e por aí em diante, sem que tudo isto tenham que ser carimbos permanentes.

Até porque eu já dancei grandes hits do folclore em bares da moda e fui a discos com os melhores remixes de música clássica. Quer dizer, eu acho que foi isso que aconteceu mas depois a medicação fez efeito e agora já não tenho a certeza.

Voltemos à vaca fria, que ficou ali sozinha na pista de dança.

Já se dançava antes  de existir a “música de dança” e certamente se vai a continuar a dançar coisas a quem nem sequer música muitos chamam. Portanto, se és fã de house, de techno, de trance, de dubstep e de mais um porradão de categorias (sim, porque me garantem que as diferenças são fáceis de notar entre entendidos) fica descansado que o rótulo de música electrónica ninguém te tira.

Já o território “música de dança” é outra história e terás que lutar com o pequeno dançarino que vive em mim para me provar o contrário.

2 comentários:

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