12.9.12

Correr também é poesia


“Olhameste” disseram as velhas
Um bando delas junto à padaria
Zumbiam que nem abelhas
Não era mel, era lycra, o que eu usava enquanto corria

Muito cedo me levantei,
Não é doença mas até parece,
Convencer amigos já tentei,
Mas, espertos, disseram “Esquece”

A correr pela fresquinha,
Também já vi moças de boa cepa,
A maior parte pode até ser maluquinha,
Mas faz-me comer pó a caminho da meta

Arranhar que nem um javardo
É sempre objectivo alcançado
Fazer pelo cabedal é trabalho árduo
Mais simples é parecer um porco suado

Quando corro penso em poesia
E em nenúfares plantados
Mas também penso em sangria
E em camarões panados

Nada tem que fazer sentido
Desde que te sintas bem com o teu corpo
A ver se acho essa merda de pensamento divertido
Quando correr em Outubro a Maratona do Porto.

2 comentários:

  1. quase tao bom como as do prezado e do taxista lisboeta, a metrica e que precisa de mais cadencia ritmica
    hehehhehhehe
    amo estas poesias, muito melhor que os avioes nao sei que vamos la ver isso e nhonhonho

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    1. Cadência só na corrida, isto é a miséria que resta. Obviamente, sejam as do prezado ou as de 99% da malta com veia poética de verdade e três neurónios activos, encontrar melhor é fácil e recomenda-se :)

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