30.8.12

O estranho caso de Benjamim, o menino interruptor


Quando nasceu, o seu caso abriu os Telejornais de todas as estações nacionais e chegou até a figurar em peças de canais importantes do estrangeiro. Os jornalistas faziam filas para falar com os pais, com familiares, com os médicos e, consoante o desespero, com alguém que vagamente tivesse convivido com a família.

O motivo era Benjamim, nascido com 3,45kgs de peso e quase 50cm de altura, uma criança aparentemente normal em quase todos os sentidos. Mas a grande diferença estava nesse quase já que Benjamim, ao contrário dos outros meninos, tinha nascido com um botão, mais precisamente um interruptor. Ao início, o pânico dos pais tinha sido grande, falara-se em negligência médica, em processos milionários, mas o facto é que os médicos estavam tão surpreendidos com o evento como a própria família, partilhando das suas preocupações. A verdade é que o menino era saudável e o interruptor , situado exteriormente dois centímetros abaixo do externo, parecia perfeitamente inserido no seu ainda frágil corpo.

Com o tempo, a questão deixou de se centrar tanto no porquê e tanto a família, os médicos e o circo mediático se debruçaram sobre “O que aconteceria se alguém carregasse no interruptor? Para que serviria?”. As opiniões dividiam-se, a gritaria elevava-se e só o pequeno Benjamim se mantinha alheio a tudo, submerso na sempre preenchida vida de um bebé em pleno desenvolvimento.

Com os anos, à falta de novidades, o interesse à volta de Benjamim foi desaparecendo na proporção do crescimento do interesse do próprio pela sua condição. Aqui e ali, um ou outro programa falava do “Menino-interruptor, que é feito dele?”, mas nada da loucura dos primeiros dias. Os seus pais continuavam a ter muito trabalho, rejeitando propostas milagrosas, ofertas de curandeiros, participação em testes clínicos e todo o tipo de interesse que uma situação daquelas despertava, com boas e outras intenções. Da sua parte, a decisão estava tomada, se não surgisse motivo para alarme, não mexeriam no assunto e deixariam que fosse Benjamim a decidir mais tarde.

A dificuldade foi convencer Benjamim, que crescia com feitio decidido e a curiosidade natural das crianças. Depois de muitos cuidados e outros tantos sustos, finalmente conseguiram fazê-lo prometer , tinha ele 11 anos, que só quando tivesse 18 anos é que mexeria no seu interruptor, uma vez que já seria maior de idade.

E foi assim que aconteceu, pelo menos segundo o que sempre pensaram os pais. A verdade é que, pouco depois de ter completado 16 anos, Benjamim decidiu que já era hora de saber porque raio tinha ele um interruptor no peito. Era óptimo para conhecer miúdas, mas depois ficava a sentir-se mal por estar a usar uma coisa que ele nem próprio sabia para o que servia ao exacto. Estava consciente que podia inclusive morrer ao mexer no interruptor, mas viver na dúvida para ele também lhe parecia impossível. A noite já ia longa e depois de muitas dúvidas e hesitações, sentado na beira da cama no seu quarto, levou a mão ao peito.

Dividido, com a garganta seca, Benjamim pensava no sofrimento que poderia vir a causar aos pais e de como uma acção que só a ele dizia respeito podia afectar tanta gente. De repente, deixou de se preocupar com os pais, com o que eles podiam pensar. O que é que isso interessava, a vida dele estava primeiro. Ia carregar no interruptor e que se lixassem o que os outros pensassem, independentemente do que viesse a acontecer.

Era agora. 


(continua)

PS - Esta é a parte em que eu ou insiro conteúdos pagos e enriqueço para aí dez cêntimos ou abro uma votação ao jeito "Você decide" e será a audiência a dizer o que vai acontecer. Enquanto não me decido, vou divertir-me a ligar e desligar interruptores em casa.
 

6 comentários:

  1. fiquei triste com esta história :) conta mais :)

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    1. Não é razão para isso, mas isso sou eu que sei de fonte segura que é tudo inventado...

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  2. mas como é que Benjamim ficou até aos 16 anos sem mexer no botão, perdão, interruptor?
    ps- quem é que patrocina isto faxavôri para a coisa continuar??

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    1. Em relação à primeira parte, vais ter que esperar pelo filme ;)
      Em relação à segunda, já recebi doze cêntimos, creio que é suficiente para avançar.

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