29.8.12

Alugar ou engatar uma casa?


Para quem está à procura de casa, não é preciso dizer que a coisa está complicada. Felizmente esse não é o meu caso mas, no entanto, tenho vários amigos nessa situação. Sejam casados, solteiros, à procura do amor, amancebados ou indefinidos, têm todos coisas em comum: são jovens a rondar os 30 anos e não nadam em dinheiro.

Já se sabe que, neste momento, comprar casa é tão difícil como encontrar um gajo que admita que gosta de usar tacões e, portanto, o mercado do arrendamento é a única solução viável para quem procura e, por outro lado, para quem tem uma casa disponível.

Podia agora falar do factor “à rasca” de muita gente que quer alugar mas quer fazer dinheiro á bruta, seja porque tem as suas próprias dívidas ou por querer apenas lucro fácil, mas isso fica para outras núpcias. Este boom dos arrendamentos como tábua de salvação, especialmente em cidades como Lisboa, continua infelizmente a prolongar os preços especulativos que, a meu ver e assim por alto, se situam em média 100 ou 200€ (ou mais) acima do que seria um valor de renda justo para boa parte das casas.

Mas o lado divertido da coisa, se é que se pode chamar isso, é que existem muito mais anúncios de casas a alugar, muitos deles tirando partido desse regabofe que são as redes sociais. Tenho visto de tudo, mas uma amiga minha fez-me chegar um link, que mistura paixão e arrendamento e quando assim é, sou obrigado a ir ver a coisa com a devida atenção.

Foi então que descobri um mundo maravilhoso de anúncios em que as casas falam na primeira pessoa, tentando seduzir o potencial arrendatário. Umas são mais atrevidas, outras mais pudicas, mas ambas de portas abertas a um bom flirt imobiliário. São joviais, usam sem medo o ponto de exclamação e jogam com os seus atributos, isto para não falar do seu preço, isto para clarificar à partida o tipo de relação que procuram.
Sou totalmente a favor da criatividade e da diferenciação, mas temo que casas assim tão frescas e tão liberais possam intimidar o inquilino mais tímido. Já estou a ver gente a queixar-se de “Ah, eu ia só vê-la, mas ela ofereceu-me um copo de vinho, caiu-me em cima com a sala ampla e a sua vista desafogada e, quando dei por mim, acordei  no dia seguinte todo nu no parquet do quarto que tinha armários embutidos com um contrato de arrendamento assinado na mão”.

Deixo dois exemplos e, se estiverem com o mood certo, pode ser que esta seja a relação que procuram.




4 comentários:

  1. Que pornochanchada! Não sei se me convenciam a arrendar uma casa assim!

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    1. Pois, para algum público aquilo não vai bater muito bem...

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  2. É uma forma original de chamar a atenção para esses anúncios. Eu gostei. Só não percebi se era o próprio site que compunha os anúncios, ou se eram colocados já assim pelos anunciantes.

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    1. É diferenciador, mas não sei se isso será totalmente positivo ou não. A criação do enredo, para quem não tiver paciência, satura facilmente, em especial em casos em que a pessoa esteja a ver uma série de anúncios no mesmo perfil.

      Creio que, pelo estilo de escrita e pelos artifícios usados, serão escritos pela mesma pessoa ou feitos segundo esse critério dentro de um grupo restrito.

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