22.8.12

A influência do Saw na língua portuguesa


Aborrece-me aquele tipo de pessoas que atira pedras indiscriminadamente contra quem dá erros ortográficos. Não porque ache que dar erros ortográficos é algo espectacular e bacano, até porque bacano a sério é mandar SMS com duzentas mil abreviaturas e um resultado final que fica entre o código morse e o português falado por alguém com uma trombose. Digamos que considero mais útil moderar o exercício e atirar os calhaus com parcimónia, nas situações mais apropriadas.

Aliás, diga-se de passagem que, naquilo que me diz respeito, sou o mais exigente possível e estando longe de ser infalível, faço os possíveis para evitar que me peguem por aí em tudo o que tenha que ver com a escrita. Tirando neste blog, onde o Neanderthal que vive em mim sem pagar renda se apodera das rédeas e varre tudo sem primor.

Como referi, guardo as minhas pedras para quando vale realmente a pena e eu creio que a influência Saw já merece uma citação. Há uma epidemia de gente a serrar punhos e ninguém põe cobro a isto, deixando que o horror e o sangue se espalhem em situações em que as pessoas estavam a lutar pela sua causa.

Recentemente, numa apresentação para perto de cem pessoas, vi um líder de equipas, um orador destemido, referir que o ano estava a ser difícil, mas estava na hora de serrar os punhos e ir à luta, algo que sustentou com uma imagem inspiradora onde constava essa frase chave. Senti-me tentado a perguntar se os punhos não faziam falta para depois ir à luta e se não era melhor deixá-los onde estão, mas “serrei” os dentes e deixei passar, sem ninguém ter dado pelas golfadas de sangue que me emergiam da boca.

No passado fim de semana, ao folhear o jornal “A Bola” em casa de alguém, vi uma notícia em que um treinador ou um jogador, se voltava para o público com uma atitude ganhadora, de punhos serrados. Fiquei comovido, um jogador sem mãos a entregar-se à luta, mas depois vi a imagem e percebi que os punhos estavam apenas cerrados e perdi aquele feeling emotivo.

O corrector ortográfico é um sacana, muitas vezes não avisa a malta de erros de coerência, apenas corrige a ortografia e isso é meio caminho andado para serrar os pés a muita gente.

12 comentários:

  1. Deixa lá isso. Uma colega de trabalho, no nosso grupo online, andou dois dias a queixar-se do tornozelo, que se calhar estava facturado. Mas que o médico disse que só depois de uma radiografia é que dava mesmo para saber se estava ou não facturado. E que as facturas dos tornozelos são lixadas e blá blá... e no dia seguinte chegaram as boas notícias. O tornozelo afinal não estava nada facturado! Uh uuuh!
    Não é bestial? Yap.

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    1. Isso faz-me lembrar a senhora que clamava que João Paulo II já devia ter sido canalizado...

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  2. Tens noção que muita gente não vai perceber o que há de errado no teu post, não tens? ;)

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    1. É um blog aberto a todos, tanto os que serram como os que cerram ;)

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  3. infelizmente tenho que concordar com a rosa cueca, mas tb já deve ser habitual para mta gente não entender os posts do Mak eheheheheheheheheh

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    1. Começando pelo próprio...

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    2. Às vezes é um verdadeiro mind-fuck, mas em bom.

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  4. Como disse o outro, "Quem nunca pecou" nisto das confusões ortográficas, "que atire a primeira pedra", mas esse tipo de erros, na comunicação social, causa-me sempre arrepios. Um dia destes, num jornal de referência que leio online, o jornalista anunciava chuvas fortes e ventos ciclópicos para os Açores.

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  5. gosto particularmente de quem te corrige erros de digitação, com erros ortográficos. de resto, já o fiz e às vezes caio nessa, mas acho um horror.

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  6. Adorei este post! (e não me parece assim tao dificil de entender...)

    Parabéns!

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