7.8.12

600kms de boa conversa


A minha vida permitiu-me, até ao momento, não ter que depender do carro no quotidiano. Talvez por isso sempre tenha tido uma visão muito light do que é conduzir, como algo que me permite ir de A para B sem nunca entrar na paixão pela maquinaria pesada ou no horror que me causa a ideia de passar horas diárias no trânsito. No entanto, creio que o prazer da condução não tem muito que ver com saber a que horas a coisa se complica na segunda ponte do Feijó ou se o túnel do Grilo não é a melhor opção para o final do dia. Pelo menos na minha cabeça não é por aí.

O prazer de conduzir para mim está associado ao desfrutar de um percurso, de uma viagem, sem o constrangimento de horários e obrigações e, se possível, com o bónus de uma boa companhia. E o fim de semana passado foi isso mesmo que aconteceu quando dois amigos vão numa mini escapadela, com o Sudoeste como destino e a costa alentejana como pano de fundo.

A vantagem de conduzir sem hora marcada e com bom tempo é que tudo parece adaptar-se ao nosso ritmo. As conversas não saem disparadas por horários de trabalho, são intervaladas por silêncios que não têm nada de desconfortáveis, retomadas mais tarde, depois de banhos de praia ou paragens para desentorpecer. Os temas seguem o ritmo da vida, indo buscar os muitos pontos comuns, mas também as diferenças que pontuam os patamares em que cada um se encontra.

Não há uma procura de conclusões definitivas ou a tomada de grandes decisões para a vida, mesmo que tal possa ser parte dos assuntos debatidos. É o prazer de uma boa conversa só pelo prazer de conversar, num jornada que se estendeu por três dias e ajudou a que mais de 600kms se passassem num instante.

E é ao regressarmos a casa que percebemos uma vez mais que, nos dias que correm, o tempo e ter tempo para o que queremos é algo que não tem preço. E isso, só por si, dava para uma bela conversa...

4 comentários:

  1. é isso mesmo o prazer de conduzir :)

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  2. O que importa é a companhia e a cumplicidade de um bom amigo para conversar. Os 600kms de carro serviram como desculpa para o tempo que conseguiram conversar sem se preocuparem com mais nada.
    Tive há uns anos uma experiência semelhante mas com 700kms num dia só, onde o rádio do carro nem sequer se ligou por 1 minuto, coisa que para mim era impossível até então.
    São momentos Kodac...para mais tarde recordar.

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  3. Presumo que nenhum dos dois convivas tem o hábito de começar as frases por "mas tu sabes que"

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    1. Ocasionalmente um "Man, tou-te a dizer" ou um "Jovem, a gente samos mesmo assim" mas, fora isso, a coisa flui de forma mais original ;)

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