5.7.12

O vídeo não matou apenas as radio stars


É certo que esta acusação se referia à televisão e apesar de ironicamente o videoclip desta música ter sido o primeiro de sempre a passar na MTV (modo geek on), a expressão ganhou outros significados nos dias que correm.

Primeiro, foram as máquinas digitais.
Depois vieram os telemóveis com câmaras fotográficas decentes.
Mais tarde veio o Facebook.
E então chegaram os telemóveis com capacidade de foto/vídeo e ligação à net.

Foi então que se escancararam os portões para a loucura social.

Cada vez mais vejo malta a passar boa parte do tempo em eventos, festas, regabofe diverso, convívio de telemóvel em punho a filmar. Atenção, eu sou um gajo do mais digital que há e sou totalmente a favor da obtenção de provas que nos permitam chantagear emocionalmente as pessoas de quem gostamos e arruinar socialmente aqueles que desdenhamos, mas tudo dentro de uma noção de equilíbrio.

A preocupação em mostrar, ostentar ou partilhar aquilo que se vive começa a inconscientemente a rivalizar e até ultrapassar aquela coisa básica que é viver o momento. Como se as coisas não existissem se não pudermos mostrar aos outros que as vivemos.


E isto tudo não tem nada a ver com o facto de ontem ter brilhado num karaoke chinês.


1 comentário:

  1. Eu também gosto de partilhar algumas coisas, mas já me irrita um pouco andarem sempre de iPhone em punho a fotografar tudo, a partilhar tudo, a comentar tudo...percebo o fascínio, mas gosto mais de coisas autênticas do que hipsterismo fabricado.

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