2.7.12

Não sou santo, mas mereço medalhas


Quantas e quantas vezes não ouvimos ao longo da vida, proferido em tom irónico “E então, queres uma medalha por isso?”. Sejam queixinhas, protestos ou gabarolice, a questão é esta: para o indivíduo A os seus feitos merecem um claro reconhecimento e ao indivíduo B a coisa é tão mundana e descabida que só merece um comentário daquele tipo.


Farto de ser o indivíduo A, resolvi fazer alguma coisa por mim nesse capítulo. Não tendo jeito para as artes militares e não gostando daqueles robes ridículos que as organizações armadas ao secretas usam, resolvi evitar recorrer a fardas para atingir os meus fins.

Pensei ainda em fazer algo de extremamente nobre ou destacar-me ao serviço da sociedade, a ver se me calhava uma comenda ou condecoração qualquer mas, de há uns tempos para cá, reparei que isto se vulgarizou e qualquer macaco se safa com uma dessas e também não queria correr o risco de ser apanhado pelos meus amigos a fazer coisas pela sociedade, não fossem eles pensar que eu agora sou escuteiro.

Começavam a escassear ideias e só à última hora me detive de entrar numa competição de cães. Não só me faltava o pelo e a agilidade, como não havia forma de encontrar uma trela que tivesse mesmo a ver comigo.

Foi aí que um amigo meu que corria me disse que em cada prova, até da distância mais manhosa, no final há uma medalha à espera de quem corta a meta. E eu, que já tinha planos para poder vir a ficar gordo num prazo de dez anos e tinha andado a amealhar embalagens de aperitivos fritos e bebidas gaseificadas, porque com isto da crise nunca se sabe quando é que o Governo nos lixa a liberdade de engordar, mandei as minhas poupanças às malvas.

É por isso que eu corro, para que vinte segundos antes de cortar a meta, se for preciso nos 10kms de Alpiarça, exponho a mim próprio uma questão em que ache que mereço reconhecimento, como por exemplo “Epá, tu não achas que as coisas idiotas que escreves já mereciam uma medalha?”. E, de repente, lá está ela já ao meu pescoço, repondo a justiça da vida.

A verdade é esta, mas peço-vos que não a contem a ninguém. A maior parte das pessoas ainda pensa que sou apenas um maluquinho das corridas.

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