5.7.12

Morte às saudades


As saudades são uma coisa lixada, tão lixada que só vivemos realmente bem com elas quando as conseguimos matar.

Deixá-las viver é deixá-las ganhar força até que um dia, quando menos esperarmos, serão mais fortes do que nós. Nessa altura vamos descobrir que já não as conseguimos matar, porque o tabuleiro se inverteu.

Só que as saudades não nos matam. Torturam-nos, lentamente, uns dias com mais força, noutros mais devagar, sempre sem pressas. Porque haveriam de ter pressa? São saudades e têm todo o tempo do mundo para se vingarem de todas as que matei.

Ainda assim, enquanto a força estiver do meu lado, mato quantas puder, sabendo que nunca vou conseguir fazê-lo a todas. Grandes, pequenas, importantes, triviais, não discrimino. Não posso, porque sei que faça o que fizer me vou esquecer de algumas, outras vão esconder-se até ser tarde demais para mim e a hora certa para elas. 

Por detrás de cada amanhã há uma saudade que se oculta para se escapar. Começam todas pequenas, mas crescem sempre rápido demais quando não estamos a olhar.

É impossível vencer, mas pior é não tentar. No que puder, serei sempre um serial killer de saudades.

3 comentários:

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