10.7.12

David Lynch, sai da minha cama


David, permite-me que te diga, quando ontem falei naquela história de duetos improváveis abertos a toda a gente, não estava à espera da tua atitude. Tudo bem que era segunda à noite, não é propriamente um sinónimo de agitação, mas hoje estou aqui que pareço um repolho.

Entre idas ao veterinário a meio da noite (não, não é a mim que me dói a patinha), cenas em que eu é que vou ao multibanco às quatro da matina e o tipos com mau aspecto é que mudam de passeio e a dúvida persistente sobre quem interpretava o “Knock on Wood” que passava na rádio a essa hora, confesso que me tinha dado algum jeito aproveitar as três horas de sono que me restavam.

Mas não David, tinhas que vir atrás e dar inputs no meu micro sonho. Eu que até sou apreciador do teu trabalho e gosto imenso da forma como deixas as pessoas baralhadas sobre o conteúdo dos filmes, não lhes dando outra opção senão sair da sala a dizer que gostaram muito e a rezar que não lhes perguntem o porquê disso mesmo. Mas não, tinhas de vir fazer duetos inconvenientes e deixar-me três horas a sonhar que a minha casa, não mudando de número, estava num sítio diferente da rua. E que por mais que eu tentasse descobrir onde é que estava a falha, quando entrava a casa era a mesma, quando saía para o jardim das traseiras já era diferente e quando saía pela frente a casa estava cerca de 200m mais à frente, mas todos os números se mantinham iguais.

Obrigadinho David, pelo labirinto mental que faz com que hoje consiga lamber as minhas olheiras sem ter uma língua tipo réptil. Vá lá que não arranjaste forma de meter anões ao barulho.

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