20.7.12

Como é bom não perceber um cu de música


Há coisas na vida para as quais acho que sou verdadeiramente dotado, mas a modéstia e o decoro impedem-me de fazer um texto com para lá de mil linhas. No entanto, apesar de gostar de muita e boa música, de variados sectores e influências, não tenho pejo em admitir: tecnicamente, não percebo um cu de música.

E é exactamente isso que me faz delirar com ela. O conhecimento técnico ou seja lá o que lhe queiram chamar é uma coisa espantosa, mas também nos tira um pouco de liberdade inconsciente de apreciar uma coisa pelo que ela é (apesar da vantagem de saber apreciar com conhecimento técnico).

Coisa que não me acontece com a escrita ou com outras áreas, em que tenho a tendência natural de avaliar a coisa não só pelo que é, mas também pela forma foi feita, analisar mais racionalmente e por aí em diante.

Não sei fazer música, não tenho o mínimo talento para cantar, não percebo de composição para além do que qualquer comum mortal sabe. O que me permite viver as coisas com um prazer mais inconsciente. E isso, quando é bom, é do caraças.

E ontem, no hipódromo de Cascais, foi exactamente isso, do caraças. E é também por essa razão que a música é um território  de conhecimento técnico que, enquanto as peças no tabuleiro continuarem assim, planeio deixar virgem por muitos e bons anos.




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