16.7.12

As alcunhas ficam congeladas no tempo

Apesar de ser bastante dotado na arte de chamar nomes às pessoas, nunca fui fã daquela alcunha boçal que é apenas um reflexo da falta de imaginação. Mas, sabendo como são os miúdos, multiplicam-se no passado os "gordos", os "caninas", os "vidrinhos", os "cabeças" e "carolas", as "miss piggys" e por aí em diante.

A questão é: como se lida com isso passado 10/15 anos e se encontra uma dessas pessoas? O "gordo" pode até já não ser gordo (mais difícil no caso do "canina"), mas por vezes o nome verdadeiro é coisa que não consta do banco de memória. E aí entra em jogo a capacidade de botar discurso sem nunca referir o nome dos outros. Aí é que se distinguem os verdadeiros artistas da retórica da malta que faz conversa de encher sem grande rendimento.

Complicação:

Eu disse que não gostava de alcunhas fáceis, mas mesmo que fosse só num grupo restrito nunca me abstive de criar outras mais artísticas para algumas pessoas. Admitia perfeitamente que me fizessem o mesmo, sem qualquer tipo de problemas, pois quem vai à guerra das alcunhas dá e leva.

Só que, temo o dia em que reencontre figuras que baptizei como:

"Bifana humana"

"Bardajona dos matrecos"

ou até "Uatchónei-me", também conhecido apenas por "Uatchó"


Curiosamente, neste momento da minha vida, lembro-me do nome real dos três mas que garantias tenho eu quando o disco rígido começar a falhar? É que nomes rebuscados obrigam a outro esforço e "Então bardajona dos matrecos, estas são as tuas filhas?" não me parece um bom início de conversa.


1 comentário:

  1. também sofro desse problema, e tendo uma equipa para gerir, por vezes é difícil não arranjar alcunhas (privadas) só para mim. Até agora o melhor foi ver um gajo a quem chamava shrek aparecer com uma tshirt a dizer shrek. Nesse dia ninguém percebia porque me ria que nem um perdido e estava meio bipolar... logico que o shrek não sabia que era o shrek, mas que foi um dia divertido foi.

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