28.6.12

Velhos do Restelo, Profetas do Eubemtedisse e Filósofos do rescaldo não marcam penalties



“Portugal tem um problema que é este...”

Epá, já dei para o peditório da conversa que começa assim em dias como o de hoje. Há todo um grupo de gente sábia que passa automaticamente a ser perita em detectar os problemas de Portugal e as razões para que o nosso fado seja o de ter um fado.

É esta a pílula do dia seguinte que temos para sonhos de glória nacional.

“Para a próxima isto”, “Desta vez não devíamos ter feito aquilo”, “Falta-nos sempre algo...”, “Connosco é sempre a mesma coisa”. Não, não é, as histórias mudam, certas pessoas é que olham sempre para elas com uma visão fatalista e conformista.

Estou-me perfeitamente a lixar para as vitórias morais, para os fatalismos, para o “bem, não foi mau, mas...” e para o “Já fomos donos do mundo e agora somos isto”. “Isto” que somos é aquilo que quisermos ser, a não ser que não queiramos ser nada e então “isto” pode ser uma coisa qualquer.

O “isto” é para tratar no agora, agarrar no que temos e ir a jogo. Se for isso que fizermos, seja em que área for da vida, percas ou ganhes, sais de lá com consciência tranquila.
Significa isso que temos de amochar, saber perder e encaixar derrotas com elegância?

Não. Quem gosta de ganhar, sente-se sempre mal a perder e perder bem só atenua esse sentimento em 0,0001%. Mas, quem acredita em si não sai das derrotas a pensar que foi uma desgraça, um azar, o nosso fado, uma malapata e que só a nós é que nos acontecem estas coisas.

Não são apenas os portugueses que perdem, que se lixam à beira da vitória, que dão tudo e mesmo assim às vezes não chega. Há um mundo inteiro a viver assim. Mas, traço geral, são os portugueses que gostam de se medir pelos ombros dos maiores, mas sempre com as desculpas dos pequenos, não vá o diabo tecê-las. Já se sabe que quando se trata de Portugal, para essas pessoas o diabo tece mais que a Zara. E se a moral de um país se esgota num campo de futebol, então vamos pôr os velhos do Restelo a marcar penalties, porque estamos a desperdiçar o hoje com gente que só sabe tudo amanhã.


Em vez da filosofia da resignação, do sebastianismo de termos de esperar até que um dia chegue alguém que por milagre dê uma volta às coisas e nos dê tudo a que temos direito, peguemos nós nisto e comecemos a facilitar a vida a esse messias, enquanto ele não chega

Longe de mim o apelo ao patriotismo cego, até porque desconfio bastante do Portugal Instituição Oficial. Mas acredito que somos melhores do que as desculpas que oiço para justificar o que somos, como se tivéssemos sempre que arranjar desculpas para aquilo que somos.

Para muitos, o sofrimento e a amargura são a única forma de pôr a máquina a andar para a frente. Para mim, é isso mesmo que temos de deixar para trás.

4 comentários:

  1. Subscrevo. Onde é que assino?

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  2. Todos atados num saco e atirados ao rio... e não se perdia grande coisa!!

    Ah, e quem fala assim não é gago!! :)

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  3. assino por baixo, por cima e dos lados

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  4. Tás lá!

    www.viagensnomeucaderno.blogspot.com

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