5.6.12

Uma estúpida analogia entre pessoas, confiança e bancos



A confiança é uma coisa difícil de gerir, porque é algo que se deposita noutras pessoas. Poderia fazer a estúpida analogia de que em parte é tal e qual como a sensação de depositar dinheiro no banco, ou seja, fazemos a coisa porque nos parece razoável, é muitas vezes necessário, mas isso não quer dizer que não tenhamos muitas dúvidas sobre os bancos e a sua conduta.

No entanto é, como disse, uma analogia estúpida porque as pessoas não são bancos, essencialmente porque podemos confiar nelas depois das três da tarde e até aos fins de semana, sem ser pela internet.

Pelo que vejo, em termos de confiança, as pessoas tendem a agrupar-se numa de duas categorias – os que confiam nos outros até prova em contrário e os que só confiam nos outros depois de estes provarem que o merecem. Possivelmente, algures pelo meio estará a solução equilibrada, isto se fossemos seres completamente racionais.

Não somos.

Investimos confiança nas pessoas porque, na grande maioria, não fomos feitos para viver sozinhos e daí nascem necessidades de partilha. Ao contrário dos bancos, que podem ser uns trafulhas mas, salvo colapso total temos “garantias” sobre aquilo que depositamos neles, nas pessoas a confiança não é palpável, não é possível reaver aquilo que depositámos quando as coisas correm mal. Mas, se não confiamos em ninguém, resta-nos o fardo de suportar sozinhos tudo o que a vida nos põe em cima (de bom e de mau) atafulhando tudo debaixo do nosso colchão mental.

Existem inúmeras formas de confiança, desde profissional à técnica e, obviamente, à pessoal. E da mesma forma que sabemos que os bancos são todos uns bandidos, que só pensam no dinheiro e não querem saber das pessoas, sabemos também que ao depositar confiança nas pessoas os juros e a retribuição não são quantificáveis materialmente.

É por isso que nos sujeitamos aos desfalques, especialmente se andarmos por aí a esbanjá-la. Mas guardá-la para a velhice ou até mesmo depois de morto, dá-me ideia que também é capaz de não servir de muito.

Especialmente se pensarmos no número de velhotes que confiam em tipos que lhes batem à porta para lhes venderem super cadeiras de massagem em que gastam os Euros todos que nunca quiseram depositar no banco.

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