27.6.12

Sonho irónico de uma noite de Verão com Portugal-Espanha


Portugal e Espanha estão empatados 4-4, depois de um jogo em que Portugal esteve a perder 0-3, empatou ao minuto 89, passou para a frente no prolongamento e deixou-se empatar a um minuto do fim do tempo adicional.

Estamos nas grandes penalidades, 7-7 até ao momento e preparam-se ambos os guarda-redes para marcar. De repente, apagão digital em toda a Península Ibérica. É impossível saber o resultado. Vulcões na Islândia entram em erupção e viagens de avião são canceladas.

A incerteza no resultado leva milhares de pessoas à loucura e ao suicídio. As fronteiras terrestres são de novo estabelecidas, para nenhum dos vizinhos correr o risco de vir a ser gozado por alguém que consiga saber o resultado.

Paulo de Carvalho tenta acalmar o povo, cantando aquela música do “E depois do adeus”, intervalada com “Os meninos à volta da fogueira”. É apedrejado por uma multidão em fúria.

A internet não funciona. 85% da população entra em depressão, mais por causa da falta de Facebook do que de saber o resultado.


Três meses mais tarde, chega uma jangada com dois portugueses que viram o jogo na Ucrânia. São quase santificados, até se perceber que viram o jogo tão bêbados que não fazem a mínima ideia do resultado. São condenados a ficarem fechados numa sala com o Paulo de Carvalho a ouvir as duas músicas que este insiste em cantar.

Seis meses mais tarde é declarado o fim do futebol em Portugal. As crianças já não querem ser Ronaldos, preferem ser Mickaeis Carreiras. Uma criança disse querer ser o Paulo de Carvalho, mas era filha de emigrantes ucranianos.

Um ano depois, o programa espacial português é lançado, para tentar saber o que aconteceu vendo as coisas do espaço. Seis meses depois da primeira missão no espaço, a comunicação final da investigação é lacónica.

“Ganhou a Alemanha”

Só isso, sem menção ao resultado do Portugal-Espanha.

Em fúria, o governo português, liderado nessa altura por Toni Carreira e tendo como primeiro ministro adjunto uma ovelha que trabalhava com ele desde o primeiro Piquenicão, toma uma resolução imediata.

Paulo Carvalho deverá ser disparado da ponta de um míssil para abater a estação espacial portuguesa. Se não se explicam, não estão a fazer nada lá em cima a não ser envergonhar o país.

O júri do Ídolos é convocado para escolher o míssil certo para espetar lá o Paulo de Carvalho. Não chegam a consenso sobre o candidato final. Moura dos Santos considera ser um material bélico azeiteiro com pouco Star Power, Abrunhosa amua e não opina sobre um míssil mais luzidio que a sua careca e Bárbara Guimarães está mais distraída a fazer boquinhas e a pensar se o míssil será mesmo assim ou se estará excitado a olhar para o seu decote que, por essa data, nivela pelo umbigo. Toni Carreira lembra-se que é primeiro ministro e decide enquanto os outros não estão a ver.

Milhões de portugueses juntam-se a ver em directo na televisão a transmissão do míssil com Paulo de Carvalho preso na ponta a destruir a estação espacial portuguesa.

Novo apagão digital, a dez segundos do impacto.

Portugal sobrevive. Paulo de Carvalho não.

3 comentários:

  1. Conheci o teu blogue há duas horas e ainda não consegui desligar =) Muito bom
    Cláudia

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  2. Muito obrigado, mas atenção que este blog é tipo jogos de consola, não convém estar ligado muito tempo de seguida, senão começam a arder os olhos e é pouco recomendável a quem sofra de epilepsia e bom gosto ,)

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