12.6.12

Roger, 'bora lá à "relote"



Não era pela música que lá íamos, o pretexto era sempre que os outros queriam ir. E nós, parte do grupo enquanto isso não nos chateasse, íamos. A música, na verdade, estava longe de ser espantosa, era igual à de outros tantos bares da altura, os hits do momento e as batidas da moda. Bebíamos um copo e, muitas vezes, era literalmente um copo porque o orçamento estava calculado ao milímetro e entusiasmo no bar podia ser sinónimo de ir a pé em vez de ir de táxi.

As miúdas estavam lá mas, não sendo aquele o nosso meio, eram mais elas que vinham falar connosco do que o contrário. E, meio sem jeito, lá nos mostrávamos simpáticos e fazíamos conversa, conforme em certos casos percebíamos que isso dava jeito ao pessoal do grupo que investia a sério naquelas noites.

Quando nos fartávamos e era hora se seguir caminho, um aceno de cabeça distinguia quem voltava de quem ficava. Era fácil saber.

“Roger, passamos na roulotte?”
Tantas vezes fiz a pergunta e tão poucas acabava por lá comer qualquer coisa. Mas gostava do cheiro, pelo meio daquela fauna tão suspeita e de malta que mal metia comida à boca corria para as traseiras para se livrar dela e do álcool em excesso.

E depois o caminho. Cinco minutos de táxi ou meia hora à pé. Só no Verão é que conseguia convencer malta a ir a pé, de resto a preguiça falava sempre mais forte. Curiosamente, ainda hoje gosto de andar pelas ruas de Lisboa à noite e quando tal se proporciona faço-o até de madrugada.

Nunca fui pessoa de insónias. Mas por esta, de tantas vezes a ouvir, acabei por lhe tomar algum gosto. Não à melodia, mas sim à voz, que me leva sempre para este canto da memória onde, ao contrário dos sítios onde a ouvi, me dá sempre um gostinho especial lá ir.


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