11.6.12

Navegando em águas de parvoíce


Há já muitos anos que soltei as amarras e decidi que mais vale ser saudavelmente parvo e aqui por parvo não se trata obviamente da parvoíce mesquinha que por aí abunda, mas sim uma de tipo mais valioso que devia ser procurada com o mesmo entusiasmo com que os porcos vão às trufas.

Falo da liberdade ser parvo sem ter que sucumbir às formalidades de idade, cargo, capacidade intelectual ou status social, factores que tanta gente com potencial convertem em cinzentistas de primeira. Para mim, poder ser parvo não implica ser burro, grosseiro ou boçal. Aliás, ser parvo com classe ao contrário do que muita gente possa pensar implica alguma inteligência, maturidade e um bom discernimento e timing. Não implica no entanto ser parvo só para agradar aos outros mas sim, primeiro que tudo, ser parvo porque isso faz parte da tua essência.

Quem, por esta altura, não esteja a perceber esta conversa, dificilmente pertence a esta classe de parvos. Isso não faz de si uma má pessoa, simplesmente distingue dois campos. Uns estão do lado de lá, os outros de cá. E pelo meio convivem.

Na base desta conversa está o facto de hoje andar por aí em filmagens, em princípio por Belém, Restelo, Ajuda e arredores. Não assinalo os locais concretos porque depois iam amontoar-se os pedidos de autógrafos e as pessoas iam descobrir que só sei assinar de cruz e que há alguém a quem pago para me me bater os textos no Word.
“Mas estás a filmar coisas de valor cinematográfico, documentários profundos ou olhares poéticos sobre a cidade, sobre ti e sobre os bancos de jardim?”

Não.
Estou a filmar parvoíces e a gastar um dia de férias nisso com todo o gosto.
Porquê?
Porque já faço isso há algum tempo, pelo meio de projectos, escritas e afins e já percebi que há coisas que fazem sentido e coisas que não fazem sentido nenhum. E eu gosto de fazer ambas.

2 comentários:

  1. Ainda pensei em ironizar mas a verdade é que mudei de ideias, Mak acho que o menino tem muita razão, apenas trocaria a palavra "parvo" por "irónico", nem todos o conseguem, para isso será necessário algum miolo, e não necessariamente de carneiro.
    (e agora vou voltar ao meu estado habitual de discordância provocadora)

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  2. Concordo em absoluto. Por exemplo, o tipo mais brilhantemente parvo que conheço é o Ricardo Araújo Pereira, o que vai de encontro à ideia subjacente ao teu post

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Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.