1.6.12

Mães vs. Guedelhas


Não posso falar sobre a relação que as mães têm com o cabelo das suas filhas, apesar de algures entre o final dos anos 80, inícios de 90 muitas delas terem sido demasiado permissivas. Foi esse liberalismo capilar que permitiu o proliferar de muitas e danosas permanentes juvenis em miúdas que um gajo depois tinha de tentar encarar num misto de riso e medo que aquilo na cabeça delas nos tentasse morder.

Posso, contudo, descontando o facto de possivelmente cada rapaz ter uma história capilar diferente para contar, falar da relação que a minha mãe teve (e, até certo ponto ainda tem) com o meu cabelo. Pertenço a tribo do cabelo ondulado/encaracolado, mas não há cá a história do “ligeiramente” encaracolado. A coisa é séria e quando cresce para além de um patamar de controlo há pentes que se perdem e nunca mais aparecem.

Por esta razão, para além de um período ou outro de insanidade temporária, nunca tive a aspiração grunge/metal do cabelo comprido. O que, contrariamente a boa parte das mãe, sempre entristeceu ligeiramente a minha, que ansiava por ver longas tranças encaracoladas caindo-me pelos ombros. Enquanto muitas mães de amigos meus lhes imploravam para que cortassem a guedelha, a minha rogava-me para que a deixasse crescer, coisa a que nunca acedi.

A uma dada altura, chegou a dar-me o exemplo do Paulo Madeira, embora não exactamente nesta fase, mas naquela a que apelidei de “esfregão Vileda”, como um rapaz com um “cabelo tão bonito”. Tivesse eu seguido esses conselhos e hoje sabe-se lá onde estaria – quem sabe no Montijo, como baixista de uma há 15 anos promissora banda de metal.

Hoje em dia já não insiste no cabelo comprido mas, sempre que pode, lá me vai oferecendo champôs que cuidam do cabelo, tónicos que vitalizam e uma outra crítica sobre “cortaste muito curto”, “isso podia estar mais comprido”.

Mal sabe ela que vou aproveitar a sua ausência do país para, muito possivelmente, ir rapar o cabelo, tendo em conta umas certas filmagens em que irei participar. Quando ela voltar, ou dou uso à minha peruca afro que tenho no armário ou cheira-me que terei muito que ouvir.


5 comentários:

  1. A tua mãe, não desfazendo, não é muito ambiciosa no que respeita a eventuais aspirações do filho a ascender na hierarquia corporativa... tive um colega que tinha o cabelo assim como esse senhor da foto, e vestia sempre preto, e ouvia metal, e tudo e tudo, e a mim ninguém me tira da ideia que isso era motivo para estar assim numa pequena lista de alvos a abater pelas chefias...

    Por outro lado, vai aparecer em filmagens? para esse requisito da cabeça rapada, ocorrem-me três possibilidades:
    (i) um filme sobre o IPO (sim, esta era escusada, não se brinca com coisas sérias);
    (ii) um filme sobre os no name boys;
    (iii) um filme sobre os neo-nazis da áustria (a propósito, qu'é feito? nunca mais se ouviu falar...)

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    1. A independência capilar depende sempre do meio profissional e do teu talento. Na zona onde trabalho existem algumas consultoras e, no meio de tanto engomado, destaco sempre dois tipos que vão de orgulhoso rabo de cavalo no meio do grupo. Pode ser datado, mas é de homem não alinhar em cedências.

      Quanto a filmagens, isso é uma correlação muito directa. E a criatividade é uma área muito vasta, tal como as parvoíces em que alinho.

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  2. A tua mãe tem de ir tomar chá lá a casa. Nós duas juntas, quer-me cá parecer que te convencemos.

    (agora a sério, não és o Paulo, não? Tive um colega com melena semelhante à tua e passei todo o secundário a desenhá-lo de cabelo sedoso pelos ombros, para o convencer. Quando ele me dizia que a coisa nunca se iria dar,eu não percebia porquê. Acho que me explicaste finalmente)

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    1. Nope, a única coisa que me une ao Paulo é Belenenses.

      Mas o cabelo encaracolado, por todo o seu charme que possa ter, é como ter um urso amestrado em casa. Ou o tens muito controlado ou te arriscas a que ele se vire contra ti...

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  3. Gosto de ursos.:P

    (o Paulo era o meu colega, nem reparei que tinha o mesmo nome do que puseste na foto)

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