21.6.12

Histórias que a pornografia actual apagou


Quando eu era adolescente, a internet estava longe de ser o que é hoje. Já a pornografia continuava basicamente igual, tirando padrões vigentes a nível de depilação. O que interessa aqui constatar é que o computador ainda não era o melhor amigo do porno (e o canal18 ainda vinha lá ao longe).

Tirando soluções mais criativas, existiam duas formas de aceder à mesma na sua versão vídeo. Uma delas era o agora quase extinto “clube de vídeo”, em que os filmes desta categoria estavam em caixas de capa lisa com títulos sugestivos (e títulos de filmes pornográfico é toda uma categoria à parte) e, quando eram clubes sérios, só alugavam essas obras a maiores de 18 ou a tipos com perto de 1,80m simulando voz grossa.

A outra era o chamado “amigo do porno” que hoje se pode encontrar, bem mais crescido, na versão do tipo que regularmente nos envia mails (de uma caixa secundária) com a sua excessiva selecção de links de chavascal. Nesses tempos, esse tipo era o gajo que dominava o sistema de cassetes de VHS com fimografia porno.

Sem entrarmos em detalhes, a melhor história desse género prende-se com um amigo meu (e aqui seria sempre um amigo, um primo, mas por acaso até era) que tinha uma colecção do género. No entanto, vivia aterrorizado pelo facto da mãe, senhora deveras conservadora, poder descobrir cassetes com épicos como “O Triângulo das Mamudas” e viu-se na necessidade de arranjar um esconderijo seguro.

Como dentro de casa nada lhe parecia absolutamente inviolável, apercebeu-se que o elevador, que era daqueles antigos com porta de grade, podia ser parado entre pisos. Tendo isso por base, parava o elevador a meio do piso, abria a porta e escondia as cassetes no topo do elevador, tirando de lá uma ou outra, quando delas precisava.

E isto durou um ou dois anos. Até que o elevador avariou.

Não dando conta disso, o meu amigo foi surpreendido quando a mãe o chamou à porta. Lá estava também um senhor da empresa de reparações, com um saco cheio de cassetes a perguntar se aquilo era de alguém dali, porque tinha encontrado no elevador e até agora ninguém se acusara.

Vendo a colecção de um lado e a mãe do outro, sabendo que alguns títulos estavam escritos em maiúsculas à mão e possivelmente se olhasse para “Mete o teu diabo no meu inferno” a mãe ia reconhecer a letra, não lhe restou outra solução senão engolir em seco e dizer adeus mentalmente ao seu espólio porno. O que muito agradou ao senhor das reparações, que ao que parece suspirou com um enfado disfarçado “Bem, se calhar tenho eu de ficar com isto”.

Hoje em dia, esta história seria praticamente impossível.

2 comentários:

  1. eheheh! Olha se ele os tivesse escondido debaixo da cama? Uma inundação, e lá ia tudo pró galheiro :)

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  2. Coisas que a juventude de hoje nunca poderá contar....

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