2.5.12

A vida é um prédio sem elevador


Para boa parte das pessoas, a vida pode ser como um prédio alto sem elevador. 
Nos andares mais elevados moram os idealistas e os sonhadores, capazes de ver o que os outros não vêem, de olhar para além da realidade do quotidiano. No entanto, muitos encaram a tarefa de descer lances e lances de escadas até à realidade, para virem buscar aquilo que precisam para realizar os seus sonhos ou, pelo menos continuar a alimentá-los, como algo impossível, especialmente tendo em conta que depois têm que voltar a subi-los. Muitos deles acabam por ficar a vida toda à janela reféns dos seus sonhos, desligados do mundo e incapazes de realizar o que quer que seja. Outros descem e não voltam a subir, passando a viver cá em baixo, levando boa parte do tempo a olhar saudosamente para cima. Alguns, poucos, têm a sorte de ter quem desça e suba por eles.

No rés do chão moram os que não aspiram a mais do que o conforto da rotina, os ultra práticos e realistas e aqueles a quem a vida tornou impossível a ideia de se mudarem para um primeiro andar que seja. Muitos vivem felizes, porque pura e simplesmente não ambicionam mais, outros consideram uma parvoíce viver lá mais acima, isso é para quem noção das coisas e a vida não está para sonhos. Outros olham com admiração para quem sobe e desce as escadas todos os dias, por vezes com uma pontinha de inveja, noutras com o pensamento gravado que isso não é para eles, com sorte um primeiro ou um segundo andar já seria bom.

Nos andares do meio, onde o movimento é maior, as mudanças nunca param. Por vezes a realidade traz gente para baixo, outras vezes os sonhos levam gente a procurar andares superior. Não há um piso certo ou um piso errado. A única noção é que quanto mais sobes, mais forte tens que ser para todos os dias desceres e subires as escadas que forem precisas para veres o que queres ver e não apenas o que toda a gente vê.

Uns sobem e descem sem esforço, outros fazem-no como exercício, outros vêem até em cada degrau uma prova de esforço e sofrimento que acreditam ser necessário superar, apesar de porventura se questionarem todos os dias se ainda vale a pena. Será que vale? Se calhar amanhã cruzamo-nos nas escadas e continuamos a tentar perceber.

Existe até a possibilidade de passar muito tempo nas escadas, para cima e para baixo, sem que isso nos transforme na porteira ou na senhora da limpeza. Em certas fases da nossa vida simplesmente estamos demasiado ocupados a viver para termos uma visão clara daquilo que podemos ou desejamos ter.

Até porque, depois disto tudo, um dia podemos descobrir que afinal existem prédios com elevador.

8 comentários:

  1. Aqui na minha cave, o que me chateia mesmo muito, é a humidade. Nem tenho tempo de pensar em como poderia ser bonita a vida a partir do 2º andar. Passo o tempo todo a pensar na melhor forma de me libertar desta humidade.

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  2. Espero que não tenhas papel de parede. É bom para projectar sonhos, péssimo com a humidade.

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  3. E às vezes há pessoas que escolhem as saídas de emergência...

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  4. Em prédios modernos isso é possível. Em prédios antigos, só se for uma janela :)

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  5. Eu moro num prédio antigo (como já pudeste ver pela foto do meu blog) e no 2º andar. Sem elevador, portanto. E estou bem, embora por vezes já sinta o cansaço ao subir aqueles lanços de escada. Será algum sinal?

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  6. E há muitos tipos de elevadores.

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  7. Gosto disso, das escadas, mas confesso que me aborrece ter de as descer depois da energia gasta a subir. Assim tento olhar mais para cima que para baixo. Posso perder o chão mas vejo o sol.

    (esta verificação de palavras é algo aborrecida)

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