18.5.12

Sobretudo sobre nada


Quis escrever sobre moda, disseram-me que me faltava estilo.
Quis escrever sobre política, disseram-me que não tinha voto na matéria.
Quis escrever sobre música, disseram-me que não ia entrar no ritmo.
Quis escrever sobre polícias, disseram-me que isso era um crime.
Quis escrever sobre fantasia, disseram-me para cair na real.
Quis escrever sobre mulheres, disseram-me que isso não era de homem.
Quis escrever sobre fantasmas, disseram-me que não era um tema do outro mundo.
Quis escrever sobre piratas, disseram-me que ia meter água.
Quis escrever sobre ciência, disseram-me que não ia encontrar a fórmula certa.
Quis escrever sobre o passado, disseram-me que isso não tinha futuro.
Quis escrever sobre a morte, disseram que isso não era vida para ninguém.
Quis escrever sobre a loucura, disseram-me que não estava bom da cabeça.
Quis até escrever sobre mim, disseram-me que nem parecia eu.

Farto de querer, decidi escrever sobretudo sobre nada. Disseram-me que isso não era tudo.
Não lhes valeu de nada.
Já tinha começado.

8 comentários:

  1. faça o que lhe apetecer...mas partilhe connosco! As suas dúvidas/ideias/ pensamentos fazem o meu cérebro "disfuncionar". obrigada
    Lia

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  2. Quando li o título do teu post, pensei que ias abordar a questão dos exibicionistas que andam pela rua nús por baixo do sobretudo, e o abrem para as meninas lhe verem o zézinho...
    Bom, não se pode ter tudo...

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    1. Foi uma decisão editorial de último momento, tinha um texto exactamente sobre isso igualmente pronto...

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  3. Felizmente que já tinhas começado.

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    1. O segredo é a antecipação antes do não ;)

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  4. A simplicidade às vezes consegue ser brilhante. Gosto destes posts que fazem sorrir.

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    1. As coisas são como são e quando são assim mesmo, melhor.

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Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.