4.5.12

Obrigado Beastie Boys


Desde que me lembro, sempre gostei de Beastie Boys.
Da fase punk que só descobri mais tarde.
Da fase rapper de putos malucos, a abrirem tournées da Madonna. Putos brancos cheios de rimas e atitude, mas sempre com um toque de ritmo e de rock a puxar por mim.

Dos álbuns instrumentais que tantas vezes serviam e servem de som ambiente lá em casa, quando há confraternizações indoor.

De férias em Milfontes a descobrir o Hello Nasty.

Dos vídeos desde o “Fight for your right to Party” até à paródia revisitada do álbum mais recente, passando por “Sabotage”, “Intergalactic”, “Body Movin’”, “Watcha you want” e tantos outros.

De vê-los mais adultos, a apoiar causas humanitárias e mostrar que podemos ser malucos, sem nunca perder a nossa consciência.

Da loucura que foi ver em dias quase consecutivos, ao vivo e a cores, primeiro no Alive e depois na Aula Magna, uma banda que sonhava ver há tanto tempo. Memórias que ficam, porque há bandas que nos tocam, misto de uma atitude em que nos revemos e um som que tem tudo a ver connosco. E é isto que posso dizer.


Adam Yauch, vulgo MCA, já tinha anunciado a sua luta com o cancro em 2009. Como em tantos casos, a partir daí, ausência de notícias em relação a isso são boas notícias.
Ainda nos presentearam com mais uma pérola, com Hot Sauce Committee Part.I. Como se tudo estivesse bem, como tudo estivesse como sempre esteve.

O mês passado foram induzidos no Rock n’ Roll Hall of Fame e Adam Yauch não marcou presença. Mau sinal. Hoje saiu a notícia da sua morte e o trio fica reduzido a duo. E, apesar de tão longe, de tão subjectivo, do tão indiferente que pode ser para tanta gente, a mim doeu-me.
Não é o fim do mundo, é o fim de uma referência. Minha.


Tento não me queixar muito do que a vida me dá, pela relatividade que faz parte de tudo o que a envolve. O mesmo tento fazer em relação à morte que, até agora, me tem poupado ao contacto mais próximo e, quando tiver que lidar a sério com ela, logo vejo como nos entendemos.

Por isso, se algo positivo posso dizer, é que se a música nos toca desta forma, é sinal que estamos vivos. E fica uma palavra, na forma de um título, que é também uma despedida e um obrigado.




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