31.5.12

O guru estava mesmo a pedi-las


Numa dada caixa de comentários, uma senhora a quem eu já troquei os links 50 vezes referiu por estas bandas a palavra “guru”. Compreendendo eu a grandiosidade que o termo pretende definir, nunca consegui que esse palavra deixasse de ter associado um tal grau de regabofe que, cada vez que o oiço, ainda me dá sempre uma certa vontade de rir.

Para que isto sirva de base para uma história há que explicar em que contexto a palavra “guru” teve pela primeira vez um impacto idiota na minha vida.

Por altura do meu terceiro ano da faculdade, avançava já eu para um mestrado em matrecos a par da licenciatura, quando tive pela frente uma cadeira chamada Ciência da Administração. Visava a cadeira transmitir aos alunos os princípios estruturais das organizações ou matá-los de tédio, conforme o que chegasse primeiro. Para que o factor mofo não fosse descurado, o regente da cadeira, sobrevivente de três tromboses que já caminhava sobre a Terra  no tempo dos mamutes aparecia para dar várias aulas.

Numa delas, possivelmente das poucas que fui antes de me aperceber que mais valia tentar passar a cadeira sem o sofrimento das aulas, a certa altura pergunta “Alguém me saberá dizer quem foi Henry Mintzberg, um dos gurus da Ciência da Administração moderna?”.

O silêncio imperou e quando o silêncio impera aumenta a tendência em mim para o abismo da idiotice. Antes de pensar disparei entredentes mas de forma bem audível “A nível de gurus só posso dizer que conheço o can-guru”. Galhofa monumental instantânea, seguida por silêncio sepulcral dados os protestos do regente: “Quem disse isso? Quem ousa esse tipo de brincadeira em ambiente académico que se quer elevado?”.

Como ninguém se acusou e as tromboses já lhe minavam a vista de um lado, tratou de partir para uma dissertação sobre os valores perdidos da juventude, antes de partir para outros gurus como Taylor ou Faiol.

Anos mais tarde, esse mesmo senhor mostrou ele próprio ser um guru da trafulhice, pois foi um dos principais envolvidos no escândalo de outra universidade onde tinha responsabilidades, a Moderna. Mas, digam o que disserem, para mim Mintzberg será para sempre o can-guru que tirou toda a credibilidade à palavra e me atribuiu o rótulo de parvo vitalício.

8 comentários:

  1. Eu, ser opinativa (às vezes) unipessoal me manifesto da seguinte maneira:
    (i) quem é "esta senhora" que referes (pergunto, correndo o risco de receber uma resposta parva, para a pergunta parva, pois provavelmente serei eu, que recordo ter dito que tu e a Poplex eram os meus gurus para determinadas malfeitorias)
    (ii) por aqui se prova que de facto podes ser o meu guru (ou can-guru, para o caso tanto faz), uma vez que eu também tentei obter uma licenciatura em matrecos durante a minha estadia na faculdade. Não cheguei a lograr esse objectivo, porque às tantas tive de roubar horas aos matrecos para suar as estopinhas na obtenção daquela para a qual os meus paizinhos pagaram as propinas.

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    1. Nesta casa os links põem-se com delay, quando um tipo se apercebe que deixou a tarefa pela metade.

      Quanto a matrecos, só a ferrugem do tempo me tira alguma da glória de outros tempos. Consegui o mestrado sem perder um ano, escolhendo apenas criteriosamente quais as disciplinas a deixar para exame. E isso sim, é planeamento de fazer suar as estopinhas.

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    2. Mestrado? Humpf...ou és do da geração Bolonha? convém saber, não quero ser acusado de "cumbibio" impróprio com alguém way too young for me

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    3. Mestrado era referente a matraquilhos, já a licenciatura é claramente pré-Bolonhesa.

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    4. Isto das pressas é tramado. Queria dizer "ou és da geração Bolonha?" e "ser acusada", que sou do género feminino (mas não do género que se amofina por me teres confundido com outra moça, que até nem consta na caixa de comentários que linkaste) (ou então, enganaste-te e linkaste a caixa errada) (linkar é uma palavra feia, eu sei, mas não me ocorre outra)

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    5. Depois de um dia de regabofe informático, estamos de regresso à normalidade. Os links estavam todos mamados por azelhice minha, as devidas desculpas.

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    6. Por quem sois, xôtor, nada há a desculpar. Esta senhora tem um feitiozinho meigo e compreensivo, não leva a mal.
      E agradece sempre as tiradas cómicas dos seus companheiros de blogosfera, que lhe permitem desanuviar dos "malucus Supersticius" com quem tem de lidar tod'ó santo dia.

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  2. pronto, rendo-me com essa do "bolonhesa".

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