16.5.12

O drama das coisas que ficam a meio


Tenho em mim uma espécie de doença que, quando a quero transformar em qualidade, se pode definir como persistência e/ou capacidade de sofrimento. Por norma, quando me meto nalguma coisa, a não ser em circunstâncias catastróficas, não consigo deixá-la a meio.

Não tem a ver com qualquer gosto particular em sofrer ou apreciar chouriçadas, mas sim porventura com a consciência crítica que me leva a pensar “No final ninguém vai poder dizer que desisti e eu vou poder dizer o que realmente penso sobre o assunto”.

Ora isto é tudo muito divertido e eloquente mas já me fez passar por coisas que no fim dava tudo para ter o meu tempo e/ou o meu dinheiro/paciência de volta. Espectáculos da treta, livros da seca, filmes da tanga e isto é apenas na vertente social mais light.

Em relação a filmes, no cinema nunca saí a meio, mas duas vezes estive perto. Numa não o fiz porque me tinham dado um convite e tive receio que a anfitriã me visse a sair, na outra o filme estava a ser tão entediante que confundi uma cena de transição com a cena que antecede os créditos finais. Levantei-me, mas voltei a sentar-me.
Já em casa, os milagres de ver filmes a x4 na velocidade têm ajudado, como no caso do “Assassínio de Jesse James pelo cobarde Robert Ford”. A fotografia é magnífica, mas o filme é tão lento e mastigado que até em x4 me pareceu ir devagar.

No que toca a livros, também nunca o fiz e prefiro nem começar se achar que vou sofrer horrores para chegar ao fim. Por isso, se quiserem, avisem-me já sobre bodegas que tenham deixado a meio, em termos de leitura, para que eu pense duas vezes, caso pondere começá-las.

A única excepção em que não tenho problemas em deixar coisas a meio, tem a ver com textos do blog, porque esses

13 comentários:

  1. Isto não tem nada a ver com o texto, só para lhe dizer que no reader, os seus posts aparecem em html, ou lá o que é, por exemplo, o de hoje,





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    Não sei se é problema só meu, mas acontece sempre e só com o seu blog.

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    1. C'o a breca, mais ultrajante do que essa afronta do reader só esse tratamento deferencial "o seu blog" / "os seus posts".

      De repente, senti-me uma espécie de monge copista com para aí mil anos de experiência.
      :)

      Ps - Em relação a essa questão, desde que o blogger mudou tenho tido alguns atritos com a plataforma, tenho de ver como funcionam as coisas.

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  2. posts em blogues, o livro Como Água Para Chocolate e cigarros, que me me lembre.
    Ah, uma queca uma vez, mas acredita que essa nem a devia ter começado...

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    1. Pois, há coisas que infelizmente não se "lêem" antes de serem começadas ;)

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  3. Pois eu não sou tão precavido como tu. Tenho começado alguns, e suspendo a leitura umas páginas depois. Largo. Pego-lhes uns tempos depois, Desisto. Ofereço, poupo espaço.
    De modo que, tás a ver, não tenho de cor os que deixei a meio, porque já não moram cá, mas lembro-me que um era do Lobo Antunes, não me recordo é qual.

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    1. Ao Lobo Antunes reconheço-lhe a capacidade, mas mantenho-me afastado por causa da personalidade.

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  4. Um philip roth...eu sei, eu sei..nem percebo muito bem como. Mas deixei a meio.
    Um daqueles cursos de Informática dos anos 90. Preferia o apelo da ganza à beira rio.
    Vários textos de blogues.

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    1. Infelizmente, sendo virtuais, perdem-se imensos blogs que davam um óptimo papel de mortalha...

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  5. Ja sai de um cinema a meio de um filme... aquilo no inicio prometia... com tratadores de um zoo que se drogavam com os relaxantes musculares para os animais(não me lembro o nome). Um punha-se contra uma parede e o outro disparava o relaxante. Mas depois disso foi sempre a descer até que ficou insuportável e eu abandonei.
    E o solaris do tarkovski... não consegui passar dos 20 minutos de filme
    Livros... os miseráveis, morte em veneza (é pequeno, eu sei... mas simplesmente não consegui). Estive em vias de abandonar o opus pistorum do henry miller... mas fiz um "forcing" e lá acabei (comecei a ficar farta daquilo quando so me faltavam umas 40 paginas para o acabar).
    Estou com a pipoca... também ja deixei uma queca a meio, que nunca devia ter começado (adiante)
    Conversas a meio... uma... com alguem que achou que seria bonito insultar-me um bocadinho com público... fiz o que tinha a fazer e disse-lhe "fale para a mão"... e deixei-a a falar com as paredes.
    Assim de repente não me lembro de mais nada
    Joana

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  6. Acima de tudo, evita a Ilíada (ando há mais de dez anos a lê-lo e já o levei de férias a quatro continentes).
    E digam o que disserem o Proust também é muito perigoso.

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    1. Pois eu já li a Ilíada algumas 3 vezes. E amei cada uma. A meio só Saramago. Não consigo. Sei que é fantástico e mimimi mas não gosto.

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  7. Podiamos colar aqui outros pedaços de textos e fazer aquele concurso tipo emparelhamento de meias.

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