8.5.12

O cúmulo das pessoas que acumulam


Um dos meus exercícios de fisioterapia da mão direita pós-gesso é fazer um zapping antes de jantar e outro depois. Nada de muito elaborado só para garantir que não se perdem funcionalidades básicas de movimentação. Ontem deparei com um programa/documentário de seu nome Hoarders, que lida com pessoas que basicamente são acumuladores e, apesar de não ser a primeira vez que me deparei com um programa sobre esse problema, confesso que me faz sempre impressão.

A incapacidade de lidar com o volume de coisas que acumulamos, numa época em que temos cada vez mais coisas para acumular, a par de todos os aspectos higiénicos e sanitários, transformam as situações retratadas num cerimonial altamente depressivo.

É como ver pessoas lentamente a enterrarem-se vivas, enterrando muitas vezes consigo as relações com famílias e amigos, incapazes de dar a volta sem ajuda. E mesmo com ajuda, muitas vezes é muito complicado tentar reverter a situação.

No entanto, durante o pouco tempo em que acompanhei o episódio, não pude deixar de pensar noutra coisa – esta é a faceta visível do problema que é ser um acumulador. Não quero sequer imaginar no número bastante mais vasto de malta que acumula e empilha emoções, sentimentos, revoltas, desilusões e incompreensões dentro de si, sem conseguir criar escapes ou formas saudáveis para descarregar o que acumulamos dentro de nós.

E um dia explodem.
E depois começam novamente a preencher o vazio.

Conhecendo pessoas que se encaixam em nos dois tipos, não sei qual será pior, apesar da acumulação física ser sempre mais chocante, porque é também mais facilmente identificável. Infelizmente não dá para fazer zapping à vida dos outros quando não gostamos do que estamos a ver.

1 comentário:

  1. Vejo muitas vezes esse programa, é tipo um acidente na estrada, é impossivel parar de olhar. É triste ver ao que pessoas que em tempos foram perfeitamente normais chegam...

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