7.5.12

O cometa português


Eugénio Espadinha andava sempre com a cabeça na lua, mas o problema não era esse. Astrónomo português de feitio complicado, vira-se forçado a emigrar para Inglaterra depois de uma também complicada situação que envolvera uma donzela que não percebera bem o intuito da expressão “Vou-te fazer ver estrelas”. Mas esse também não era o problema.

O problema era que, dois dias antes, Eugénio Espadinha recebera uma estranha visita no seu gabinete. Um ser de luz vindo do nada dissera “Vem connosco e viverás para sempre num cometa, visitando toda a galáxia. Voltarás à Terra apenas a cada 76 anos”.

Nesse instante, o seu assistente Edmund Hadley entrara, o ser de luz desaparecera e a discussão começara. Havia algum tempo que Espadinha observava o dito cometa e, se por um lado a concretização académica e científica dos seus estudos estava ali à mão de semear, por outro lado fazer campismo à borla pela galáxia era algo inestimável. Partilhou a sua decisão com o seu assistente, que permanecia incrédulo em relação aos ETs, partindo do princípio que Eugênio Espadinha continuava a abusar da aguardente de medronho.

“A decisão está tomada Halley, peço-te apenas uma coisa”.
“O que quiser Sir…”
“Quando publicares os nossos estudos, dá o meu nome ao Cometa, seria uma memória algo reconfortante e a minha mãezinha certamente que gostaria muito.”

Hadley sorriu, “Claro Professor”.

De repente, surgiu um novo clarão e Edmund ficou sozinho. Será que aquela história dos ETs era mesmo verdade ou teria apanhado alguma coisa com aquela prostituta genovesa? O melhor era ir lavar a cara e o... resto do corpo e depois logo se veria.

Não tendo a certeza, Halley arriscou e fez algo que mudaria a história. Ignorou o pedido do professor, uma autêntica besta no seu modesto entender e deu o seu próprio nome ao cometa. Se fosse verdade que o pavão português sempre tivesse ido lá para cima, na próxima passagem do cometa dali a 76 anos, ao saber que o cometa não tinha o seu nome, mas sim o de um simpático inglês, haveria um português a dar pulos de raiva visíveis da Terra apenas através de telescópio.

3 comentários:

  1. eheheh! Do céu caiu um cometa! Vi esse filme

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  2. A mim o que me lembrou foi isto
    http://youtu.be/yWj--3G7cE4
    nem toda a gente pode ser intelectual...

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  3. Nuno Nunes não é um nome que não possa fazer concorrência a Eugénio Espadinha...

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