21.5.12

Na tua cabeça ou na minha?


Apesar da tralha toda que havia lá dentro, o espaço parecia tão vazio que qualquer som ecoava como se estivessem num museu. A verdade é que já não falavam a sério há algum tempo, cada um entretido nas suas tarefas básicas, ocupando-se ao máximo para não terem de enfrentar a realidade.

Naquele dia as coisas iam mudar.

- Já reparaste há quanto tempo estamos sozinhos aqui os dois, juntos?

Tentou lembrar-se, mas não conseguiu – Bem...já perdi a conta ao tempo.

- Pois, eu também, mas terás que admitir que sempre houve uma certa química  entre nós.
- Sim...mas o que queres dizer com isso?
- Se calhar está na altura de nos reproduzirmos...
- Então, mas isto é assim? Não há romance, não há sedução, nem sequer uma música ambiente?
- O que é que não percebeste na parte do “estamos sozinhos há demasiado tempo”? Achas que isso ia mudar alguma coisa? Acho que temos de ser racionais.
- Portanto, não posso sonhar é isso? Trato de tudo o que são tarefas básicas, nunca me queixo e agora chegas aqui assim e é “Bora lá reproduzirmo-nos”.
- Só estou a ser prático.
- E também estás a ser básico e primitivo.
- Mas isso também é a minha função.
- E ser um calhau frio e racional, também é a tua função?
- Tirando a parte do calhau, sim. Deixo a emotividade, ainda que primária, para ti.
- Mas como, como é que tu julgas possível que nós juntos....eeerrrgh nem quero pensar.
- Fácil, estamos aqui os dois, sozinhos.
- Epá vai lá fora ver se eu estou no esófago.

A neurónia afastou-se furibunda e o neurónio ficou ali sem perceber o porquê daquela história toda “Então se estavam ali os dois sozinhos, juntos...”. Suspirou e carregou na ligação para tirar aquela gaja da frente do espelho, que já lá estava há 20 minutos. Só esperava que aquela discussão não deixasse a miúda baralhada, já que da última vez que acontecera algo igual a rapariga tinha acabado a declarar a uma revista que o seu sonho era acasalar com um panda, porque ao menos eram fofinhos, simpáticos e assim sempre ajudava a Natureza.

A vida não era fácil, no cérebro daquela modelo/actriz/apresentadora/figura pública/relações públicas.

5 comentários:

  1. Agora fiquei a pensar de quem se tratará...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É válida, correcta e aceitável a hipótese de resposta múltipla.

      Eliminar
  2. E que tal se a neurónia... em vez de dizer... "Epá vai lá fora ver se eu estou no esófago"
    Dissesse... vai lá fora ver se eu estou no bolbo olfactivo? Hã?
    A primeira pessoa que me ocoreu foi a Luciana Abreu... mas acho que nao é relações publicas...
    Joana

    ResponderEliminar
  3. Estamos a falar da Babá? Ela já se reproduziu vai para algum tempo (mas não deve ser, acho que nunca foi actriz)

    ResponderEliminar
  4. Não personalizem a tipologia. Eu deixei o campo em aberto para todos poderem sonhar com as suas antipatias favoritas.

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.