20.5.12

A minha verdade mete água de quando em vez


Confesso que ontem não fui totalmente honesto convosco. Disse-vos que o dia de hoje ia ser devotado na totalidade ao flor de estufismo mas, à última hora, desviei-me um pouco da rota, mais ou menos 12kms.

Quero antes de mais dizer que gosto que a nossa relação se baseie no sincero princípio de que eu vos vou enganar e fantasiar a realidade conforme me aprouver, enquanto vocês me aturam as patranhas, tentam distinguir alguns laivos de sanidade e, ocasionalmente, pensam “Epá, ainda bem que não tomo o mesmo que este gajo”. Assim, quando revelo mesmo as verdades mais embaraçosas, fica instituído aqui um princípio de dúvida que pode sugerir que, lá no fundo, eu até podia ser uma pessoa minimamente interessante.

No entanto, esta verdade não sendo embaraçosa, é apenas chuvosa já que se compõe de uma simples revelação – gosto de correr à chuva. Não é nada de mais, podia ter acrescentado “nu” ou “apenas de kilt” à equação, mas isso já foi feito por uns tipos com muito melhor aspecto que eu e que até tinham cavalos, ao passo que eu optei por calções de lycra (por questões técnicas, já que fossem estéticas seriam fuschia e não pretos).

E, quando dias como me hoje me assobiam da janela, tenho dificuldades em dizer-lhes não. Em dois ou três kms estamos no Parque Eduardo VII, a Feira do Livro está de saída e a chuva está a chegar. Uma subida temperada a pingos, seca-se pelo caminho, dois passos e já se está em Monsanto e entretanto é tempo de voltar. Aí sim, chove mais um bom bocado a valer, a satisfação ainda é claramente maior do que o cansaço e, de cara lavada ao natural, lá se percorre a Avenida da República rumo ao fim e ao resto do dia, em que aí sim o flor de estufismo será rei.

Até lá, com a chuva nas ventas e umas milhas nas pernas, quem manda é o meu lado pseudo desafiador das forças da Natureza.

1 comentário:

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.